Açúcar bruto fecha em baixa após máxima de mais de um ano

Açúcar bruto fecha em baixa após máxima de mais de um ano

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE fecharam em queda de 1,3%, a 16,60 centavos por libra-peso, após atingir 17,11 cents.

A Deepcore informou que a oferta é abundante e a demanda fraca, com exportadores mantendo estoques e importadores da Ásia e Oriente Médio inativos.

O fenômeno climático El Niño pode causar déficit na produção de açúcar na safra 2026/27, afetando Brasil e Índia, segundo o Centro de Previsão Climática dos EUA.

NOVA YORK, 14 Ago (Reuters) – Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE recuaram nesta sexta-feira em relação à máxima de mais de um ano atingida no início desta semana, pressionados pela oferta abundante no curto prazo e pela demanda fraca. O cacau registrou alta, enquanto o café apresentou desempenho misto.

* O açúcar bruto fechou em queda de 0,22 centavo, ou 1,3%, a 16,60 centavos por libra-peso, após ter subido para uma máxima de mais de um ano, de 17,11 cents, na quarta-feira. O mercado ainda registrou alta de 0,9% na semana, após um salto de 12% na semana anterior.

* A Deepcore, corretora de açúcar físico, afirmou que os exportadores têm estoques, enquanto os importadores da Ásia e do Oriente Médio permanecem à margem no momento.

* A empresa também observou que o preço do açúcar está atualmente cerca de 20% acima do etanol no Brasil, principal produtor, o que significa que as usinas do país provavelmente aumentarão a produção do adoçante.

* No médio prazo, porém, a corretora espera que o mercado entre em déficit na safra 2026/27, à medida que os problemas de produção se acumulam no Brasil e na Índia — segundo maior produtor — devido ao fenômeno climático El Niño.

* O Centro de Previsão Climática dos EUA informou que o El Niño está se intensificando, com mais de 90% de chance de ocorrer um evento muito forte.

* O açúcar branco caiu 1,3%, para US$511,20 por tonelada métrica.

* O café arábica na ICE fechou em alta de 1,5 centavos, ou 0,5%, a US$3,143 por libra-peso, após atingir a maior cotação em três semanas no início desta semana.

* Os corretores afirmaram que a alta nos preços no Brasil, principal produtor, finalmente levou os agricultores locais a intensificar as vendas, mas acrescentaram que há um limite para esse movimento, devido aos riscos de abastecimento associados ao El Niño.

* Além disso, os cafeicultores brasileiros associados à cooperativa Cooxupé receberam R$622 milhões nos últimos dias, em decorrência de uma decisão judicial que determinou a restituição de impostos (Funrural). A corretora de café Ecom afirmou que o pagamento aumentará a liquidez dos produtores e poderá reduzir o ritmo de suas vendas de café.

* O Brasil havia colhido 90% de sua safra de café de 2026/27 até 12 de agosto, informou a consultoria Safras & Mercado.

* O café robusta caiu 1,4%, para US$3.594 a tonelada, após ter atingido uma mínima de um mês e meio no início do dia. O robusta registrou queda de 5% nesta semana.

* O cacau negociado na bolsa ICE de Londres fechou com alta de £7, ou 0,2%, a £4.170 por tonelada. O mercado recuou 3% nesta semana.

* "O setor está mantendo um perfil discreto e aguardando a contagem de frutos em agosto (na África), bem como o início da nova safra", disse um corretor.

* A moagem de cacau da Costa do Marfim, um indicador da demanda, subiu 53,3% em julho, embora a moagem total da safra 2025/26, com início em outubro, tenha registrado alta de 7,5%, informou a associação de exportadores GEPEX.

* O contrato de futuros de cacau de Nova York subiu 0,9%, para US$5.773 a tonelada.

(Reportagem de May Angel e Marcelo Teixeira)


Fonte: Portal do Holanda

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