Ataques com drones no Mar Negro aumentam temor de escalada da Rússia e resposta da Otan
Ataques com drones no Mar Negro atingiram pelo menos sete embarcações comerciais, resultando em duas mortes e 25 desaparecidos, elevando a tensão regional.
O presidente da Romênia, Nicusor Dan, alertou que "haverá uma reação do Estado romeno" após os ataques, sem atribuir responsabilidade direta.
A Otan, liderada pelo secretário-geral Mark Rutte, reforçou sua postura na fronteira leste e discute a segurança no Mar Negro em resposta aos incidentes.
Uma sequência de ataques com drones contra navios cargueiros no Mar Negro, ao largo das costas de Romênia e Bulgária – ambos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – elevou, neste mês de outubro de 2026, o temor de que a Rússia esteja buscando uma escalada calculada para testar a disposição da aliança em sustentar a Ucrânia.
Ao menos sete embarcações comerciais foram atingidas nas zonas econômicas exclusivas dos dois países europeus, ameaçando uma rota marítima global importante, com duas mortes confirmadas e pelo menos 25 desaparecidos.
Moscou bombardeou repetidamente portos ucranianos no Mar Negro e no rio Danúbio, levando Kiev a depender mais de rotas alternativas para exportar grãos para mercados na África e no Oriente Médio ao longo do conflito contra a Ucrânia. Drones russos também já violaram diversas vezes o espaço aéreo romeno perto de alguns portos ucranianos no Danúbio.
Nos incidentes mais recentes, incêndios atingiram dois navios após ataques de drones na quarta e na quinta-feira, sendo que um deles ocorreu em águas territoriais romenas. Em Bruxelas, o presidente da Romênia, Nicusor Dan, disse que "dois drones" atingiram as embarcações, sem atribuir responsabilidade, mas advertiu que "haverá uma reação do Estado romeno".
Cresce, porém, a suspeita sobre a Rússia. O primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, disse ao Parlamento que não faria sentido a Ucrânia atacar navios e tripulações ligados às suas próprias exportações e que o resultado dos ataques favorece a Rússia – embora tenha admitido que o problema é não haver prova conclusiva.
Os ataques reacenderam o debate sobre os limites do Artigo 5, a cláusula de defesa coletiva da Otan sob a qual um ataque a um membro é considerado ataque a todos. O secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, disse na quinta-feira que se reuniu com Radev e Nicusor Dan para discutir a segurança no Mar Negro. Rutte afirmou ainda que a organização reforçou sua postura na fronteira leste, inclusive com mais capacidade de defesa contra drones, e que continuará ajustando dissuasão e defesa conforme necessário.
Ainda assim, o analista romeno de defesa Radu Tudor afirmou que é incerto se ataques ocorridos nas zonas econômicas exclusivas entram no escopo típico de uma reação do tipo Artigo 5, já que não se trata necessariamente de território soberano no mesmo sentido jurídico. Para ele, isso levanta dúvidas e indicaria que a Otan tem sido lenta para reagir no Mar Negro, num cenário em que incidentes se multiplicam e a Rússia se aproxima das fronteiras da aliança.
Um integrante do setor de defesa romeno ouvido pela AP, sem autorização para falar publicamente, disse acreditar que os ataques têm como objetivo prejudicar economicamente a Ucrânia e que "a Romênia não é o alvo agora", mas relatou que frequentemente autoridades têm encontrado destroços e sinais de drones no mar e em praias. A mesma fonte afirmou ter ouvido que a Turquia gostaria de convocar os países litorâneos do Mar Negro para planejar uma missão de escolta de comboios por um corredor seguro militarizado, mas ressaltou os riscos e dificuldades da ausência de sistemas de defesa adequados.
Em paralelo, o Ministério da Defesa búlgaro disse que o país planeja aderir até o fim de outubro de 2026 ao projeto Drone Edge da Otan, lançado em julho e do qual a Romênia também participa, com meta de investir mais de US$ 40 bilhões em capacidades antidrones nos próximos cinco anos. Em julho, Romênia, Bulgária e Turquia ampliaram o pacto naval da Força-Tarefa de Contramedidas de Minas no Mar Negro para incluir a proteção de infraestrutura submarina crítica. Fonte: Associated Press.
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Fonte: Portal do Holanda
