Ativista de Hong Kong Joshua Wong é condenado a 10 anos de prisão por crime contra segurança nacional
Joshua Wong foi condenado a 10 anos de prisão por conluio com entidades estrangeiras, segundo a lei de segurança nacional de Hong Kong.
O juiz William Tam destacou a necessidade de a pena refletir a gravidade do crime e expressar a repulsa da comunidade.
Wong, de 30 anos, se declarou culpado em setembro e é um dos ativistas mais conhecidos do movimento pró-democracia na cidade.
Por Greg Torode e Clare Jim
HONG KONG, 5 Nov (Reuters) – O ativista Joshua Wong, que se tornou o rosto mundial do movimento pró-democracia de Hong Kong, foi condenado nesta quinta-feira a 10 anos de prisão sob a acusação de conluio com entidades estrangeiras, nos termos da lei de segurança nacional da cidade.
Wong fazia parte de um grupo de jovens cujos esforços de protesto foram efetivamente proibidos por uma abrangente lei de segurança nacional que Pequim impôs ao centro financeiro asiático em 2020, após manifestações que, em alguns casos, foram violentas.
“A punição deve ser proporcional à gravidade do crime”, afirmou o juiz do Tribunal Superior William Tam a um tribunal lotado ao proferir uma sentença inferior à pena máxima de prisão perpétua.
“Também é necessário que o tribunal expresse a repulsa da comunidade em relação ao plano do réu e aos atos que ele cometeu em conjunto com outros para conspirar com forças estrangeiras ou elementos externos a fim de colocar em risco a segurança nacional.”
Wong, hoje com 30 anos, foi acusado de conspirar com o ativista autoexilado Nathan Law e outros para solicitar a países, organismos ou indivíduos estrangeiros fora da China que impusessem sanções ou bloqueios, ou que se envolvessem em outras atividades hostis contra o governo.
Ele se declarou culpado da acusação em setembro.
Os casos de Wong e de outros estão sendo acompanhados de perto por grupos internacionais de direitos humanos e por alguns países ocidentais e asiáticos que acompanham a adoção da lei de segurança nacional na ex-colônia britânica.
Em fevereiro, o magnata da mídia Jimmy Lai, o crítico mais veemente da China em Hong Kong, foi condenado a 20 anos de prisão por conluio com forças estrangeiras e sedição, após um julgamento histórico que gerou críticas internacionais.
(Reportagem de Greg Torode e Clare Jim, em Hong Kong; Reportagem adicional de Farah Master, em Hong Kong, e Lisa Jucca, em Milão)
Fonte: Portal do Holanda
