Controle do câncer da mulher negra é destaque do Outubro Rosa 2026

Controle do câncer da mulher negra é destaque do Outubro Rosa 2026

Em geral, doença é diagnosticada em estágios mais avançado em pretas do que em brancas

Embora a incidência do câncer de mama seja, em geral, menor entre mulheres negras do que entre as brancas, pretas e pardas são mais frequentemente afetadas por tumores de comportamento agressivo, especialmente o subtipo triplo-negativo. Além disso, entre esse último grupo o diagnóstico ocorre, com maior frequência, em estágios mais avançados e em idades mais jovens.

Esses foram alguns dos temas postos em destaque durante o lançamento da publicação Disparidades raciais na incidência do câncer de mama , primeiro volume da série “Disparidades raciais e câncer de mama: um olhar para a saúde das mulheres negras”.

O lançamento faz parte das comemorações do evento Outubro Rosa deste ano no INCA e também marcou o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra (27 de outubro).

“O diagnóstico da doença [câncer de mama] em fase avançada é mais frequente entre as mulheres negras (60%) do que entre as mulheres brancas (50%). Ademais, o aumento da taxa de mortalidade entre as mulheres negras foi 3,8 vezes maior entre os anos de 2000 e 2020”, detalhou a coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA, Márcia Sarpa.

O número de casos, isoladamente, não é suficiente para compreender o impacto da doença. Desigualdades socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e situações de estresse relacionadas às condições de vida podem contribuir para as disparidades raciais na incidência do câncer de mama. A publicação também destaca a importância de considerar fatores relacionados à ancestralidade.

Mariana Emerenciano, presidente da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão do INCA avaliou ser “muito importante que a gente entenda quais são as pessoas que acessam o cuidado integral de controle de câncer no SUS, e quem são aquelas que têm que enfrentar as barreiras. Quais são essas barreiras? E vamos derrubá-las”.

O secretário adjunto da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Carlos Amílcar Salgado, explicou que um dos objetivos da pasta é “identificar quais são os principais obstáculos hoje que nós temos à vigilância, ao acesso, à detecção precoce, ao cuidado oportuno e ao tratamento”.

A obra recomenda fortalecer as políticas de prevenção e de promoção da saúde para reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas, e promover práticas protetoras, a exemplo da alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno, criando condições mais favoráveis às populações vulnerabilizadas. Destaca ainda a necessidade de eliminar barreiras de acesso à mamografia, ao diagnóstico precoce e ao tratamento em tempo oportuno, além de combater o racismo estrutural e institucional.

Também por isso, o diretor-geral do INCA, Roberto Gil, ressaltou a relevância da prevenção, inclusive para evitar gargalos e custos elevados ao sistema de saúde: “O papel da prevenção é determinante. (…) Se a gente continuar sem olhar o aumento da incidência e, portanto, da prevenção daquilo que pode ser prevenido, a gente vai estar sempre lidando com um problema maior e maior.”

Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do INCA, disse que é importante ainda elaborar ações para outros segmentos: “População indígena, população LGBTQI+, mulheres ribeirinhas, do campo, da floresta entre todos os outros grupos que precisam também que a gente pense em políticas públicas para que se possa trazer um cuidado culturalmente sensível e adequado, considerando as especificidades que temos no nosso País”.

Lissette Delgado-Cruzata, professora associada de Biologia Molecular da City University of New York (CUNY), bolsista Fulbright e integrante da equipe elaboradora da publicação Disparidades raciaisna incidência de câncer de mama . “É fundamental melhorar a qualidade da coleta dos registros do dado ‘cor’ ou ‘raça’ para informar as pesquisas sobre as disparidades raciais em câncer”

Monique Miranda, pesquisadora na Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do INCA, apresentou a publicação da cartilha Saúde com axé: mulheres negras e prevenção do câncer , mais um trabalho essencial uma vez que “há uma quase ausência de materiais educativos específicos sobre mulheres negras e câncer”. A pesquisa promoveu oficinas em terreiros e áreas de remanescentes de quilombos com participação de 56 pessoas.

O evento contou com o debate “Estratégias culturalmente adaptadas — população negra e controle do câncer”, no qual Iyá Katiúscia de Yemanjá, Ilê Axé Òbá Labi, mestre em Linguagens pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professora da educação básica pública, pesquisadora e defensora dos saberes ancestrais na diáspora enfatizou que “as bases territoriais são locais pouco ouvidos quando a gente fala de promoção e prevenção [em saúde]. Hoje os nosso territórios de base são o locus de escuta mais qualificado que o sistema de saúde vai poder ter sobre a negligência e sobre a humanização do corpo de uma mulher negra”.

Já Rita Borret, médica de família e comunidade, doutora em Saúde Pública e consultora da ONG Criola, lembrou da Política de Saúde Integral da População Negra: “Em 2029, a gente vai fazer 20 anos dessa política, que é a política menos implantada no País, porque combater de verdade o racismo nunca foi prioridade nesse País. Mas agora a gente tem a oportunidade de comemorar os 20 anos de fato implementando-a nacionalmente”.

Coordenadora geral de Atenção à Saúde da População Negra da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do MS, Rose Costa dos Santos, pontuou avanços do ministério no processo de inclusão e ponderou: “O desafio é gigante, mas a gente tem caminhos a seguir”. Ela também incentivou a participação dos movimentos sociais na construção do processo.

O debate foi mediado por Tábata Poline, repórter do programa Fantástico, da TV Globo, e o evento foi apresentado por Maria Fernanda Barbosa, chefe da Divisão Técnico-Assistencial do HCIII, umas das unidades do INCA.

Conheça a campanha do Outubro Rosa 2026 .

Veja ainda a página da exposição A Mulher e o Câncer de Mama no Brasil.


Fonte: Agência Gov / Governo Federal

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