Crise do Ueno Bank pode consumir mais da metade do fundo que protege clientes no Paraguai

Crise do Ueno Bank pode consumir mais da metade do fundo que protege clientes no Paraguai

A crise do Ueno Bank pode comprometer 5,08 trilhões de guaranis do Fundo de Garantia de Depósitos, representando 53% do total disponível.

Os ressarcimentos começaram em 5 de outubro para clientes com até 10 milhões de guaranis, sem dívidas e com conta em outros bancos.

Apenas 30% dos depósitos do Ueno estão dentro do limite de cobertura, deixando empresas e grandes depositantes em risco de não recuperar todo o patrimônio.

A crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos do Paraguai, pode comprometer mais da metade do dinheiro reservado pelo país para proteger clientes em caso de quebra de instituições financeiras. A estimativa considera que o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) poderá precisar utilizar até 5,08 trilhões de guaranis, de um total de 9,54 trilhões disponíveis.

Na prática, isso significa que o pagamento das garantias aos clientes do Ueno poderá consumir cerca de 53% de todo o dinheiro acumulado no fundo. O mecanismo funciona de forma semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no Brasil, e tem como objetivo devolver parte dos depósitos aos correntistas quando um banco enfrenta problemas financeiros.

O ressarcimento começou na quinta-feira (5), inicialmente para clientes que tinham até 10 milhões de guaranis depositados, não possuíam dívidas com o banco e tinham conta em outra instituição financeira paraguaia. Os pagamentos serão realizados por etapas.

Pelas regras do fundo, cada cliente tem direito a receber até 228,3 milhões de guaranis, valor equivalente a aproximadamente R$ 203 mil. A estimativa do Banco Central paraguaio é que 97% dos correntistas do Ueno consigam recuperar integralmente o dinheiro. Isso ocorre porque a maioria possui depósitos dentro do limite estabelecido.

Apesar disso, o número de clientes protegidos não representa a maior parte do dinheiro depositado no banco. Apenas 30% do volume total de depósitos está dentro do limite de cobertura. Por isso, empresas e clientes com valores mais elevados podem enfrentar dificuldades para recuperar todo o patrimônio.

Em setembro, o Ueno reunia aproximadamente 2,8 milhões de depositantes e concentrava cerca de 10% dos depósitos de todo o sistema bancário do Paraguai. A instituição ocupava a quinta posição entre os maiores bancos do país.

O impacto definitivo sobre o fundo ainda depende da recuperação de recursos do Ueno. Parte do dinheiro poderá ser obtida com a venda de ativos ou a transferência de depósitos e operações para outras instituições financeiras. Essas medidas podem reduzir o valor que precisará sair diretamente do fundo garantidor.

A crise também representa um desafio para o sistema financeiro paraguaio. A avaliação da agência de classificação de risco Moody's é que o episódio exige atenção, principalmente pelos possíveis prejuízos a empresas e grandes depositantes, embora o risco de contágio para outros bancos seja considerado administrável.

Criado em 2003, o Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai é mantido por contribuições obrigatórias dos bancos e administrado pelo Banco Central. Caso os recursos sejam insuficientes, existem mecanismos de financiamento público para complementar os pagamentos.


Fonte: Portal do Holanda

Leia a matéria original

Avatar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *