Dirigentes se distanciam de Infantino em meio a batalha de poder na Fifa
Dirigentes da Fifa se distanciam de Gianni Infantino após proposta de venda de participação na Copa do Mundo gerar crise interna e divisão no esporte.
Mattias Grafstrom, secretário-geral da Fifa, lamentou publicamente os eventos que levaram ao abandono do projeto, sem mencionar Infantino.
Uefa e Concacaf, entre outras confederações, manifestaram desconfiança na liderança de Infantino, que enfrenta pressão para deixar o cargo até o Congresso da Fifa em março.
Por Nick Mulvenney e Rohith Nair
4 Ago (Reuters) – A crise desencadeada pela proposta, logo abandonada, do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de vender uma participação na Copa do Mundo se agravou na terça-feira, com dirigentes influentes se distanciando publicamente do projeto enquanto havia um esforço para conter os danos.
Após três dias de uma guerra interna sem precedentes no mundo da administração do futebol na última semana, Infantino recuou de seu plano de levantar US$4,2 bilhões por meio de um novo órgão de direitos comerciais na noite de sexta-feira.
O dirigente de 56 anos pediu desculpas pelo fato de a proposta — que teria trazido investimento privado para a Copa do Mundo pela primeira vez — ter dividido o esporte, mas seu bastião de poder, antes inatacável no topo do órgão regulador global, foi abalado.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, enviou uma mensagem interna aos funcionários lamentando a “série de eventos tristes e repreensíveis” que levou ao “abandono definitivo” do projeto, segundo duas fontes.
“Todos nós fomos lançados no meio de uma turbulência, que é difícil de compreender e aceitar”, escreveu Grafstrom na carta, sem mencionar Infantino pelo nome.
“Mas, como secretário-geral, peço que permaneçam focados no que sempre nos uniu: servir ao futebol e às nossas 211 federações-membro, lado a lado com todas as partes interessadas relevantes e em total conformidade com os Estatutos e Regulamentos da Fifa."
Arsene Wenger, chefe de Desenvolvimento Global do Futebol da Fifa e consultor técnico do IFAB, órgão responsável pela elaboração das regras do futebol, afirmou que não esteve envolvido na proposta e só tomou conhecimento dela por meio de reportagens da mídia.
“A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e inquestionável, pois acredito firmemente em uma Fifa independente que sirva ao nosso esporte com comprometimento, transparência e integridade”, afirmou Wenger em comunicado.
FORÇAR SAÍDA DE INFANTINO
Uma reportagem da mídia sugeriu que três confederações regionais se uniram para tentar forçar a saída de Infantino do cargo.
Cinco federações nacionais europeias, incluindo a FA da Inglaterra, retiraram formalmente seu apoio à reeleição dele no Congresso da Fifa, no Marrocos, em março, enquanto a federação da Dinamarca afirmou que, de qualquer forma, nunca votaria nele.
As federações de Marrocos, Catar, Kuwait, Líbano e Sri Lanka declararam publicamente seu apoio contínuo ao suíço-italiano, que dirige a Fifa desde 2016 e pretende permanecer no cargo até 2031.
Cinco líderes influentes do futebol africano divulgaram declarações manifestando apoio a Infantino e saudando a decisão de abandonar seu controverso plano.
O número de entidades com posições públicas firmes é pequeno — 211 federações nacionais votarão no Congresso —, mas pegar de surpresa os principais atores do futebol com a proposta claramente fez com que Infantino perdesse aliados entre as confederações regionais.
A poderosa confederação europeia Uefa e a Concacaf, que administra o futebol na América do Norte, América Central e Caribe, divulgaram declarações contundentes no sábado, afirmando que haviam perdido a confiança em sua liderança.
A Confederação Asiática (AFC), normalmente leal, não foi tão longe em suas críticas, mas pediu uma reforma institucional na Fifa após declarar que a falta de consulta sobre o plano era “totalmente inaceitável”.
De acordo com uma reportagem publicada na segunda-feira no jornal “Times” de Londres, Uefa, Concacaf e AFC estão determinadas a forçar a saída de Infantino do cargo, paralisando a Fifa e chegando até mesmo a criar suas próprias competições caso ele se recuse a deixar o cargo.
Fonte: Portal do Holanda
