Dólar passa a subir ante real com política no radar após Copom manter juros

Dólar passa a subir ante real com política no radar após Copom manter juros

O dólar à vista subiu 0,47%, atingindo R$5,4765, após a manutenção da Selic em 13,75% pelo Banco Central.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião com ex-ministros e o presidente do Banco Central para discutir a agenda econômica.

A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro, superando a expectativa de retração de 0,2%, o pior resultado para o mês desde 2022.

SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) – Após operar com viés negativo a maior parte da manhã, o dólar passou a subir ante o real nesta quinta-feira, com os agentes monitorando o noticiário político ao mesmo tempo em que avaliam a decisão da véspera do Banco Central de manter a Selic em 13,75%.

Às 12h15, o dólar à vista subia 0,47%, a R$5,4765 na venda.

Os investidores seguem de olho nas sinalizações sobre os possíveis rumos da economia no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais cedo, Lula convocou uma reunião com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica, tendo entre os convidados auxiliares do governo, os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Ainda no noticiário político, Lula vai fazer um pronunciamento televisionado no domingo para reafirmar seu compromisso com a disciplina orçamentária, mas sem fornecer detalhes sobre as políticas, afirmaram duas fontes com conhecimento direto do assunto.

O encontro do presidente com ministros e conselheiros econômicos acontece um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal, o que tem provocado turbulência nos mercados.

Prevendo inflação mais alta nos próximos anos, a autarquia deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.

O BC ressaltou que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada” com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta. A decisão pela manutenção da taxa em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, foi definida de maneira unânime pela diretoria da autarquia.

Na leitura de analistas da XP, o Comitê sugere que "uma interrupção no ciclo de calibração de juros agora é necessária para conter as pressões inflacionárias, mas ao mesmo tempo não vê necessidade de uma postura monetária ainda mais contracionista neste momento".

Nesse contexto, a instituição financeira projeta que a Selic permanecerá em 13,75% até o final do próximo ano, "em que pese a elevada incerteza global e local".


Fonte: Portal do Holanda

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