Em diversas frentes, safra 2026/2027 começa a avançar com apoio das chuvas
Boletim da Conab aponta o início do plantio de arroz, milho e soja, enquanto o excesso de umidade traz impactos ao cultivo do trigo
As chuvas favoreceram o início da semeadura e o desenvolvimento dos cultivos da primeira safra 2026/2027, inclusive da soja em áreas onde o vazio sanitário já se encerrou. Ao mesmo tempo, impactaram os cultivos de inverno da safra 2025/2026 em diferentes fases de desenvolvimento, sobretudo nas regiões com maiores acumulados de precipitação.
A nona edição de 2026 do Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) analisou as principais regiões produtoras de grãos do país entre 1º e 21 de setembro e traz um panorama das condições das lavouras, com dados sobre o comportamento das chuvas e o andamento do plantio e da colheita.
Com volumes acima da normal climatológica, as chuvas mais intensas ocorreram em parte do Amazonas, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais, no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. Em outras regiões produtoras, como no Matopiba, as precipitações amenizaram o risco de incêndios, mas foram insuficientes para recuperar o armazenamento hídrico do solo e permitir a semeadura na maioria das áreas de sequeiro. Já no Semiárido mineiro e nordestino, praticamente não choveu.
O avanço da nova safra já pode ser observado em diferentes culturas. No Rio Grande do Sul, cerca de 10 mil hectares de arroz foram semeados na Fronteira Oeste. No Paraná, a umidade do solo impulsionou o plantio do milho primeira safra, enquanto, em Santa Catarina, os trabalhos também prosseguem, embora a elevada umidade limite o ritmo das máquinas. Em Mato Grosso do Sul, as primeiras lavouras de soja começaram a ser implantadas.
Enquanto a nova safra avança, o excesso de umidade impõe desafios ao trigo. No Paraná, a colheita vem sendo ajustada para evitar os períodos chuvosos e preservar a qualidade dos grãos. Em Santa Catarina, a sequência de chuvas mantém elevada a pressão fitossanitária, exigindo atenção para doenças como giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares. Em São Paulo, a combinação de chuva e baixas temperaturas compromete a qualidade dos grãos e pode provocar a germinação do cereal ainda na espiga.
Esse cenário também pode ser observado no monitoramento por satélite. Após ficar acima da safra anterior e da média histórica na maioria dos períodos entre julho e agosto, o índice de vegetação do trigo ficou abaixo do ciclo passado nos dados mais recentes da maioria das regiões monitoradas. Segundo a Conab, esse comportamento pode indicar deterioração das lavouras, principalmente em razão do excesso de umidade, embora fatores como a colheita do milho e a mudança na cobertura vegetal também influenciem o indicador.
Outros destaques das lavouras:
Algodão – A colheita da safra 2025/2026 avança em estágios distintos, conforme a região produtora. Na Bahia, parte das lavouras segue em maturação, enquanto em Minas Gerais a colheita está próxima da conclusão. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, os trabalhos já foram encerrados.
Milho Primeira Safra (2026/27) – O plantio avança nas principais regiões produtoras sob condições geralmente favoráveis, embora o excesso de umidade limite o ritmo dos trabalhos em algumas áreas. No Rio Grande do Sul, a trégua das chuvas permitiu a entrada do maquinário, com destaque para as áreas mais precoces, que já se aproximam do encerramento.
Milho Segunda Safra (2025/26) – A colheita prossegue nos principais polos produtores. Em São Paulo, o excesso de água no solo chegou a impedir a entrada das colhedoras, mas a redução das chuvas e a elevação das temperaturas permitiram a retomada das operações, ainda que em ritmo reduzido. Em Mato Grosso do Sul, o tempo chuvoso e úmido ainda impede a conclusão da colheita.
Milho Terceira Safra (2025/26) – A colheita evolui com resultados contrastantes entre as áreas irrigadas e de sequeiro. No Oeste da Bahia, as lavouras sob irrigação apresentam boas produtividades; contudo, no Nordeste baiano, a estiagem iniciada em junho comprometeu o potencial do cultivo. Em Sergipe, a irregularidade das chuvas afetou as lavouras e, em Simão Dias e Poço Verde, parte das áreas foi destinada à produção de silagem.
Soja (2026/27) – A soja ganha espaço em ritmos distintos pelo país. Em Mato Grosso, o plantio ocorre principalmente em áreas irrigadas, ocorrendo apenas de forma pontual no sequeiro. Em Mato Grosso do Sul, as condições de umidade são favoráveis ao início da semeadura em quase todo o estado. No Paraná, onde o vazio sanitário já terminou em algumas regiões, as condições climáticas favoreceram a semeadura.
Arroz (2026/27) – A semeadura avança em diferentes regiões produtoras de arroz, favorecida pelas condições de umidade em algumas áreas. Em Santa Catarina, o plantio está em andamento e a disponibilidade de água favorece a instalação das lavouras, embora possa restringir as operações e dificultar o manejo em algumas áreas. No Maranhão, o arroz irrigado está em fase adiantada, com as primeiras áreas já em colheita, enquanto o plantio de sequeiro está previsto para começar apenas em dezembro.
A análise detalhada das condições climáticas e do desenvolvimento das lavouras, integrando dados de satélites e observações de campo, está no Boletim de Monitoramento Agrícola – Setembro 2026, disponível no portal da Conab .
Fonte: Agência Gov / Governo Federal
