Embrapa participa de missão na China em busca de cooperação científica na agricultura
Um dos pontos centrais da missão é a participação da Embrapa na World AgriFood Innovation Conference (WAFI) 2026, que ocorre de 17 a 19 de setembro
A Embrapa iniciou na terça-feira, 15 de setembro, em Pequim, uma missão institucional à China voltada ao fortalecimento da cooperação científica e tecnológica e à prospecção de novas parcerias em áreas estratégicas para a agricultura. A delegação cumpre agenda até o dia 22 de setembro, com encontros com universidades, instituições de pesquisa e empresas e participação na World AgriFood Innovation Conference (WAFI) 2026, que acontece de de 17 a 19 de setembro, no distrito de Pinggu, em Pequim.
A missão começou pela China Agricultural University (CAU), uma das instituições de referência da China na área de ciências agrárias. Criada em 1905, a universidade mantém, segundo informações oficiais, relações de cooperação com mais de 260 universidades, instituições de pesquisa e organizações internacionais em mais de 50 países e regiões e possui nove áreas incluídas na segunda etapa do programa chinês de universidades e disciplinas de excelência, entre elas engenharia agrícola, ciência e engenharia de alimentos, produção vegetal e recursos agrícolas e meio ambiente.
A agenda incluiu uma reunião de intercâmbio com o College of Resources and Environmental Sciences (CRES) da CAU. O encontro focou em discussões sobre agroecologia, compostagem, microbiologia, aproveitamento de resíduos orgânicos e possibilidades de cooperação em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formação de recursos humanos e intercâmbio acadêmico.
A reunião aproximou duas instituições com competências complementares. O CRES reúne 136 docentes, centros de pesquisa e estruturas experimentais e atua em áreas como recursos naturais, ecologia, solos, nutrição de plantas, agrometeorologia e sensoriamento remoto. Já o Organic Recycling Research Institute, vinculado à CAU, desenvolve pesquisas em engenharia ecológica, compostagem, agricultura orgânica, microbiologia e bioconversão de resíduos, com tecnologias de compostagem rápida aplicadas por uma rede que alcança mais de 500 empresas na China.
A delegação brasileira é composta pela presidente Silvia Massruhá, a chefe-geral da Embrapa Agrobiologia, Cristhiane Amâncio, e os pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital Luciana Alvim Santos Romani e Jayme Garcia Arnal Barbedo. O Projeto Semear Digital é um dos destaques a ser apresentado durante a missão ao país chinês.
“A CAU é uma das principais instituições de ensino e pesquisa agrícola do país, onde conversamos sobre ciência, inovação e novas possibilidades de cooperação entre Brasil e China”, explicou a presidente Silvia.
WAFI: ciência, tecnologia e inovação para o futuro da agricultura
Um dos pontos centrais da missão é a participação da Embrapa na World AgriFood Innovation Conference (WAFI) 2026, que ocorre de 17 a 19 de setembro. Com o tema “Transformação Verde e Saudável dos Sistemas Agroalimentares” (Green and Healthy Transformation of Agrifood Systems), o encontro se propõe a reunir governos, universidades, instituições de pesquisa, empresas e organizações internacionais para discutir inovação e os desafios relacionados à segurança alimentar, mudanças climáticas e sustentabilidade. A programação inclui plenárias, fóruns temáticos, sessões paralelas, atividades de inovação e exposição de tecnologias.
Antes mesmo da abertura oficial do WAFI, No dia 16, Silvia Massruhá participou do WAFI World Agricultural University President Forum, realizado na China Agricultural University, em Pequim. A programação integra a agenda de atividades que antecedem o WAFI e reúne lideranças de universidades agrícolas para discutir a transformação verde e inteligente da agricultura. Um dos focos da missão é participar dos debates e trocas de experiências sobre agricultura e inclusão digital. Foi justamente o tema proposto do fórum sobre como popularizar tecnologias digitais no campo que motivou a composição da delegação brasileira.
A dimensão internacional do WAFI reforça a importância da participação da Embrapa. Segundo a organização, a edição de 2025 reuniu mais de 7 mil participantes, 570 palestrantes e representantes de mais de 90 países e regiões. Para 2026, o evento terá entre seus temas inteligência artificial e tecnologias digitais, agricultura inteligente, biotecnologia, resiliência e sustentabilidade, além de debates sobre políticas públicas, financiamento e transformação dos sistemas agroalimentares.
Embrapa firma parceria com Voto Biotech Group para produção de bioinsumos
No dia 17, Cristhiane Amâncio integrou programação dedicada a bioinsumos, que inclui visita a uma planta de compostagem acelerada em Shunyi, Pequim, e reunião com a VOTO Biotech Group, na sede da empresa. A agenda dialoga diretamente com as competências da Embrapa Agrobiologia e também com os temas tratados no encontro desta terça-feira na CAU, que incluem compostagem, agroecologia e aproveitamento de resíduos orgânicos. Na instituição chinesa, pesquisas nesta área abrangem tanto o desenvolvimento tecnológico quanto a aplicação em escala de soluções para tratamento e aproveitamento de resíduos.
Participaram também representantes da Universidade de Brasília (UnB) e do governo chinês. À tarde, a delegação seguiu para o WAFI, onde está prevista a participação no fórum AI-Driven Global Agrifood Transformation, dedicado à transformação dos sistemas agroalimentares impulsionada pela inteligência artificial. A agenda também inclui uma reunião bilateral com a Chinese Academy of Agricultural Sciences (CAAS).
Embrapa leva experiência brasileira ao debate internacional
No mesmo dia, a delegação participa do China–Brazil Dialogue on Green Agricultural Value Chains: Trade and Investment Policies and Practices, a convite do Center for International Agricultural Research da CAAS.
“A participação nesses espaços amplia a oportunidade de apresentar a experiência brasileira em agricultura tropical e, ao mesmo tempo, acompanhar avanços e soluções desenvolvidos na China para desafios que também estão presentes na agricultura brasileira. A missão ocorre, portanto, em um momento de transformação acelerada dos sistemas agroalimentares, no qual ciência, tecnologia, dados, inteligência artificial, biotecnologia e soluções sustentáveis passam a atuar de forma cada vez mais integrada”, afirma a presidente da Embrapa.
“Para a Embrapa, a aproximação com instituições chinesas representa uma oportunidade de ampliar redes de pesquisa, identificar possibilidades de desenvolvimento conjunto de bioinsumos e fortalecer a circulação de conhecimento e tecnologias entre os dois países”, ressalta Christiane Amâncio.
Universidades chinesas como pontes para a inovação
A aproximação com as universidades é um dos eixos estratégicos da missão. Depois de Pequim, a agenda prevê uma passagem por Nanjing, onde a delegação participará de uma sessão conjunta com a Nanjing Agricultural University (NAU), NBD, WRI, a Jiangsu Academy of Agricultural Sciences (JAAS) e a SinoMach Digital Technologies.
Para Amâncio, a escolha dessas instituições reforça a importância das universidades como espaços de conexão entre pesquisa, formação de pesquisadores, inovação tecnológica e cooperação internacional. No caso da CAU, sua extensa rede internacional e sua atuação em áreas estratégicas da agricultura fazem da instituição um parceiro relevante para ampliar o diálogo científico entre Brasil e China.
A missão inclui ainda agendas em Xangai, com atividades relacionadas ao ecossistema de inteligência artificial, além de visitas técnicas, encontros com instituições de pesquisa e inovação e uma visita a tecnologias de tratores autônomos.
Fonte: Agência Gov / Governo Federal
