Enviado de Trump manteve laços com empresa envolvida em oleoduto de US$15 bi para contornar Ormuz

Enviado de Trump manteve laços com empresa envolvida em oleoduto de US$15 bi para contornar Ormuz

Thomas Barrack, enviado dos EUA para o Oriente Médio, defendeu a inclusão da TI Capital em um projeto de oleoduto de US$15 bilhões entre Iraque e Síria.

O consórcio, que inclui Chevron e UCC Holding, visa reabilitar o oleoduto Kirkuk-Baniyas, fora de operação desde 2003.

Barrack possui laços comerciais com a TI Capital, mas não há evidências de que ele lucrará diretamente com o projeto, segundo advogados de ética.

DUBAI, 9 Out (Reuters) – Thomas Barrack, um importante diplomata norte-americano no Oriente Médio, defendeu que uma empresa dirigida por seu parceiro de negócios participasse do desenvolvimento de um oleoduto do Iraque à Síria, segundo três pessoas, algo que parece violar as normas federais de ética.

Em julho, o Iraque e a Síria assinaram memorandos de entendimento com um consórcio pelo grupo de investimentos californiano TI Capital, pela Chevron e pela UCC Holding, do Catar, para realizar estudos técnicos e financeiros em preparação para a reabilitação do oleoduto, que contornaria o estreito de Ormuz.

Barrack, enviado especial do presidente dos EUA tanto para o Iraque quanto para a Síria, além de embaixador na Turquia, mantém uma relação comercial de longa data com a TI Capital e seu fundador, Ziad Ghandour. Na época de suas audiências de confirmação, em 2025, ele detinha uma participação financeira que lhe dava direito a até um quinto dos lucros de um empreendimento imobiliário próximo a San Francisco, na Califórnia, administrado pela TI Capital — tendo Ghandour como diretor executivo. Ele afirmou pretender manter essa participação, segundo mostram registros públicos.

Durante reuniões com autoridades sírias e iraquianas após o início da guerra no Irã, Barrack pressionou para que a empresa de Ghandour fosse incluída no projeto, segundo duas pessoas com conhecimento direto das discussões.

Em 16 de junho, um mês antes da assinatura do acordo do consórcio, Barrack e o primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi emitiram uma declaração conjunta elogiando a decisão do Iraque de “avançar com um memorando de entendimento com a TI Capital para reabilitar o oleoduto Kirkuk-Baniyas”. A declaração não fez menção à Chevron ou à UCC em relação ao oleoduto.

A Reuters não encontrou evidências de que Barrack venha a lucrar com o oleoduto ou com outros projetos. Seus laços com Ghandour não constituiriam um conflito de interesses criminal, a menos que ele viesse a lucrar diretamente com o próprio oleoduto, afirmaram dois advogados especializados em ética à Reuters.

No entanto, a relação de Barrack com Ghandour torna tal defesa de interesses “um problema sério” sob a regulamentação que proíbe autoridades de participar de assuntos que ponham em dúvida sua imparcialidade devido a uma relação pessoal ou comercial, disse Richard Painter, ex-advogado-chefe de ética da Casa Branca e professor da Faculdade de Direito da Universidade de Minnesota.

A regra de imparcialidade, que não é uma lei penal, pode ser acionada pelo envolvimento de um parceiro de negócios em um projeto, independentemente de o funcionário ter ou não um interesse financeiro próprio.

“A preocupação ética é a aparência de um conflito de interesses”, disse Ann Skeet, diretora executiva interina do Centro Markkula de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara.

Questionado sobre o que Barrack teria precisado fazer para cumprir a regra, Painter disse: “Não ter nada a ver com esse oleoduto. Abster-se completamente. Declarar que esse não é um assunto no qual eu participe.”

Don Fox, ex-conselheiro jurídico geral e diretor interino do Escritório de Ética Governamental dos EUA, afirmou que a promoção da TI Capital por Barrack violaria adicionalmente uma regulamentação que proíbe que autoridades usem seu cargo para endossar qualquer empresa ou para o ganho privado de pessoas às quais estejam afiliadas.

Barrack não apresentou uma isenção de conflito de interesses ao Escritório de Ética Governamental dos EUA em relação aos seus laços com a empresa, uma vez que ela participa do projeto, de acordo com uma solicitação de registros feita pela Reuters. As isenções permitem que autoridades com potenciais conflitos de interesses participem de assuntos que, de outra forma, exigiriam que o funcionário se recusasse a participar.

Em um acordo de ética assinado antes de suas audiências de confirmação no ano passado, ele se comprometeu a se recusar a participar de assuntos que afetassem diretamente os interesses financeiros do empreendimento imobiliário, a menos que obtivesse previamente tal isenção.

O gabinete de Barrack e a Chevron se recusaram a comentar. A TI Capital, Ghandour e a UCC não responderam aos pedidos de comentário.

Em uma postagem de 17 de julho no X, Barrack disse que o envolvimento de empresas norte-americanas no Iraque e na Síria era “um novo paradigma” que visava trazer clareza e oportunidades para a região.

Um quarto advogado especializado em ética afirmou que caberia ao Departamento de Estado decidir se os ativos financeiros de seu funcionário criam um potencial conflito de interesses.

“O embaixador Barrack não tem nenhuma afiliação, função ou interesse financeiro no projeto do oleoduto Kirkuk-Baniyas”, disse um porta-voz do Departamento de Estado à Reuters, ao mesmo tempo em que reconheceu a relação de Barrack com o empreendimento imobiliário da TI Capital.


Fonte: Portal do Holanda

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