GP de São Paulo marca retorno de dois pilotos brasileiros no grid da F1
Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara são os dois pilotos brasileiros no grid da F1, marcando a primeira vez em uma década que isso ocorre.
Câmara, de 21 anos, faz sua estreia na F1 pela Haas, substituindo Esteban Ocon, enquanto Bortoleto compete pela Audi.
Ambos os pilotos enfrentam a pressão de correr em casa, com Bortoleto refletindo sobre a experiência emocional de competir em Interlagos.
Por Gabriel Araujo e Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) – Os fãs de Fórmula 1 no Brasil terão o dobro de motivos para comemorar em Interlagos neste fim de semana, com Gabriel Bortoleto e o estreante Rafael Câmara garantindo ao país dois pilotos no grid de largada pela primeira vez em uma década.
O país que revelou os tricampeões mundiais Ayrton Senna e Nelson Piquet, além do bicampeão Emerson Fittipaldi, vinha sem uma presença constante na Fórmula 1 nos últimos anos, mas o Grande Prêmio de São Paulo deste fim de semana serve como um lembrete de sua profunda ligação com o esporte.
A última vez que o Brasil teve dois pilotos no grid foi em 2016, com Felipe Massa e Felipe Nasr. Agora, Bortoleto, em sua segunda temporada pela Audi, terá a companhia de Câmara, de 21 anos, que faz sua estreia em um Grande Prêmio pela Haas após substituir Esteban Ocon.
Para Câmara, correr em casa ainda é uma sensação nova. O líder do campeonato de Fórmula 2 passou a maior parte de sua carreira na Europa e vai competir em Interlagos pela primeira vez.
“Estou muito feliz com a oportunidade. Muito grato à equipe por ter confiado em mim esta semana”, disse Câmara aos repórteres nesta quinta-feira.
“Acho que vai ser bem especial estar a primeira vez aqui andando de Fórmula 1, e ver toda a torcida. Eu vi ano passado com o Gabi como foi, então eu acho que vai ser legal fazer minha primeira corrida aqui no Brasil.”
A situação de Câmara reflete, de certa forma, a de Bortoleto, que chegou a Interlagos em 2025 tendo corrido lá apenas uma vez antes, em uma prova de stock car anos antes.
Aquele retorno ao país de origem foi emocionante, mas doloroso. Bortoleto sofreu um grave acidente na corrida de sprint, ficou de fora da qualificação depois que sua Sauber danificada não pôde ser consertada a tempo e rodou na primeira volta do Grande Prêmio.
O brasileiro disse que a experiência lhe ensinou lições valiosas sobre como lidar com a pressão de uma corrida em casa.
“Eu acho que eu tenho muita expectativa que eu coloco em cima de mim e eu acho que o Brasil também obviamente acaba colocando”, disse o piloto de 22 anos.
“Foi uma lição de como lidar com as minhas emoções e como lidar com o final de semana de casa."
“Foi a primeira vez em muitos, muitos anos que eu tomei decisões e atitudes por emoção e não por razão quando eu estava dentro de um carro de corrida a 300 por hora… Espero que esse ano eu consiga levar de uma maneira melhor.”
Alguns dos pilotos mais experientes da Fórmula 1 acreditam que Câmara está pronto para o desafio.
Pierre Gasly, da Alpine — cujo companheiro de equipe é o argentino Franco Colapinto —, disse que estrear na Fórmula 1 em casa foi uma experiência única, mas que trouxe uma pressão adicional.
“Começar sua primeira corrida de F1 em casa, acho que é uma sensação inigualável para qualquer um”, disse o francês. “Haverá expectativas e ainda mais trabalho para ele, mas espero que ele consiga aproveitar cada segundo disso.”
A chegada de Câmara ao lado de Bortoleto também reforça a presença da América Latina no grid, uma tendência bem recebida por Sergio Perez, da Cadillac.
“Há mais impulso em nossos países, em nosso continente”, disse o mexicano. “Mas sempre disse que, para um piloto latino chegar à Fórmula 1, é duas vezes mais difícil do que para um piloto europeu.”
(Reportagem de Gabriel Araújo e Letícia Fucuchima; )
Fonte: Portal do Holanda
