Irã sofre com disparada nos preços de remédios diante de bloqueio dos EUA e novas sanções
Os preços de medicamentos no Irã dispararam, com alguns tratamentos aumentando até 350%, devido ao bloqueio naval dos EUA e novas sanções.
A moeda iraniana perdeu metade do valor, enquanto o desemprego cresce e a crise econômica se agrava após sete meses de conflito com os EUA e Israel.
O governo iraniano enfrenta dificuldades para manter estoques, com farmácias relatando dívidas de cerca de US$ 270 milhões e falta de medicamentos essenciais.
Os preços de medicamentos estão disparando no Irã e alguns tratamentos já se tornaram difíceis de encontrar, aumentando a pressão sobre pacientes e famílias em meio ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e ao endurecimento de sanções que atingem a indústria farmacêutica do país.
Alguns remédios mais que triplicaram de preço, agravando a crise econômica sete meses após o início da guerra do Irã com Estados Unidos e Israel. Alimentos e outros itens também subiram fortemente, enquanto o desemprego aumentou e a moeda iraniana, que atingiu mínima recorde nesta semana, perdeu metade do valor.
O conflito virou um teste de resistência econômica. De um lado, o Irã tenta pressionar os preços globais de energia com ataques a rotas marítimas de petróleo; do outro, os EUA buscam estrangular a economia iraniana com bloqueio naval a portos desde junho e sanções mais duras.
Embora o Irã produza mais de 80% dos medicamentos consumidos internamente, segundo estatísticas oficiais, muitos dependem de matérias-primas importadas. Antes da guerra, a maior parte chegava por via marítima, mas o bloqueio americano interrompeu o transporte, levando importadores a recorrerem a rotas aéreas mais caras. Esse caminho também ficou ameaçado após novas sanções a companhias aéreas iranianas, que resultaram na suspensão de alguns voos internacionais.
As sanções dos EUA não miram diretamente medicamentos, mas restrições financeiras e o receio de bancos e empresas de violarem regras acabam travando pagamentos e embarques, segundo Reza Majdzadeh, professor da Universidade de Essex. Ele afirma que, mesmo quando a venda é legal, instituições podem se recusar a processar transações por risco reputacional ou regulatório.
O governo iraniano não informou quanto a produção caiu, mas autoridades reconhecem impacto após ataques aéreos danificarem mais de 40 fábricas farmacêuticas, incluindo unidades que produzem tratamentos contra câncer. Farmácias, por sua vez, enfrentam dificuldades para manter estoques: segundo Mohammad Jamalian, do comitê de saúde do Parlamento iraniano, seguradoras atrasaram em até nove meses reembolsos de cobertura, e a associação de farmácias estima dívidas de cerca de US$ 270 milhões.
O contrabando de remédios para Afeganistão, Paquistão e Iraque também pressiona a oferta, porque nesses países os preços são maiores.
Em Teerã, consumidores relatam buscas longas por itens básicos. Funcionários de farmácia afirmam que "quase tudo" ficou mais caro – em alguns casos, com preços dobrando, quadruplicando ou até aumentando em seis vezes.
Fonte: Portal do Holanda
