Juiz dos EUA arquiva processo do governo Trump sobre investigação de admissões em Harvard

Juiz dos EUA arquiva processo do governo Trump sobre investigação de admissões em Harvard

Um juiz federal, Myong Joun, indeferiu ação do governo Trump contra Harvard sobre admissões e uso da raça no processo seletivo.

Harvard já enfrentou outras tentativas do governo para cortar mais de US$ 2 bilhões em subsídios e processá-la por alegações de assédio.

O Departamento de Justiça buscava dados de admissões para verificar o cumprimento da decisão da Suprema Corte sobre discriminação racial nas universidades.

BOSTON, 2 Nov (Reuters) – Um juiz federal dos Estados Unidos indeferiu nesta segunda-feira uma ação movida pelo governo do presidente Donald Trump que buscava obrigar a Universidade de Harvard a entregar documentos para uma investigação sobre se a instituição continua a levar em conta a raça em seu processo de admissão de alunos.

O juiz federal Myong Joun, de Boston, rejeitou a ação movida pelo Departamento de Justiça dos EUA, que, segundo Harvard, foi apresentada como parte de uma campanha mais ampla do governo do presidente republicano contra a instituição da Ivy League.

Harvard tem sido um dos principais alvos dos esforços do governo para usar o financiamento federal e o poder do governo a fim de forçar mudanças nas universidades que, segundo Trump, são dominadas por ideologias da “esquerda radical”.

A universidade, sediada em Cambridge, Massachusetts, já obteve decisões de outros juízes rejeitando as tentativas do governo de cortar mais de US$2 bilhões em subsídios, impedir a instituição de receber estudantes internacionais e processá-la por supostamente não proteger estudantes judeus e israelenses contra assédio.

O Departamento de Justiça apresentou o caso ao juiz Joun em fevereiro, argumentando que Harvard não estava cooperando com as investigações para apurar se a instituição está cumprindo a decisão de 2023 da Suprema Corte dos EUA que rejeitou programas de admissão que levam em conta a raça, usados para aumentar o número de matrículas de estudantes de minorias.

O governo alega que o Departamento de Justiça e o Departamento de Educação dos EUA precisam de dados de admissão por candidato, coletados ao longo de anos, para determinar se a raça continua sendo um fator nas decisões de admissão de Harvard.

Os advogados da universidade rebateram, alegando que o processo foi aberto como retaliação contra Harvard por se recusar a atender às exigências de reformular sua governança, contratações e programas acadêmicos para se alinhar à agenda do governo.

Eles afirmaram que a ação judicial foi movida depois que Trump anunciou, no início de fevereiro, que estava encerrando as negociações para um acordo e exigia US$1 bilhão em indenização de Harvard, que, segundo ele, “há muito tempo vem se comportando de maneira muito inadequada”.

Harvard afirmou que o Departamento de Justiça entrou com a ação sem primeiro tomar as medidas legalmente exigidas para garantir o cumprimento voluntário, por parte da universidade, de suas exigências relativas a registros de vários anos, que, segundo Harvard, incluíam dados confidenciais sobre milhares de alunos do ensino médio que buscaram admissão.

O Departamento de Justiça solicitou os registros como parte de uma investigação para apurar se Harvard está cumprindo o Título VI da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe a discriminação racial em programas educacionais.


Fonte: Portal do Holanda

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