Maersk volta a elevar previsões devido a taxas de frete em níveis elevados
A Maersk revisou sua previsão de lucro para 2026, agora estimando um Ebitda entre US$14 bilhões e US$14,5 bilhões, impulsionado por altas taxas de frete.
Apesar do aumento nas previsões, as ações da companhia caíram 11% devido a resultados do terceiro trimestre abaixo das expectativas, com lucro de US$4,7 bilhões.
O crescimento do comércio global é sustentado por investimentos em eletrificação e inteligência artificial, compensando interrupções geopolíticas e congestionamentos portuários.
Por Jacob Gronholt-Pedersen e Stine Jacobsen
COPENHAGUE, 5 Nov (Reuters) – O grupo dinamarquês de transporte marítimo Maersk elevou, nesta quinta-feira, pela terceira vez sua previsão de lucro para 2026, já que o congestionamento portuário e a demanda impulsionada pela inteligência artificial mantiveram altas as taxas de frete de contêineres.
No entanto, as ações da companhia caíram 11%, pois analistas afirmaram que a revisão para cima já era esperada e que o lucro do terceiro trimestre ficou aquém das expectativas.
A Maersk registrou lucro no terceiro trimestre antes de juros, impostos, depreciação e amortização de US$4,7 bilhões, um aumento de 75%, mas abaixo da previsão média de US$5,04 bilhões em uma pesquisa da LSEG.
Analistas afirmaram que o resultado operacional abaixo do esperado foi impulsionado por volumes menores do que o previsto e custos mais elevados na divisão Ocean.
O aumento na previsão de lucro, por sua vez, decorreu de preços mais altos, e não de um aumento no volume de carga, deixando os resultados da Maersk vinculados ao congestionamento e às interrupções que, segundo alguns analistas, devem diminuir à medida que os navios retornam ao Canal de Suez e novas embarcações chegam.
A segunda maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, frequentemente vista como um indicador do comércio global, agora espera um lucro subjacente antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) entre US$14 bilhões e US$14,5 bilhões este ano, acima da faixa anterior de US$10,5 bilhões a US$12,5 bilhões.
O lucro operacional subjacente (Ebit) deve ficar entre US$8 bilhões e US$8,5 bilhões, acima da faixa anterior de US$4,5 bilhões a US$6,5 bilhões, informou a empresa.
A nova projeção para o Ebitda está, em linhas gerais, alinhada com as expectativas dos analistas de US$14,02 bilhões para o ano inteiro, de acordo com uma pesquisa da LSEG.
“Apesar da contínua incerteza geopolítica e das perturbações, o comércio global tem se mantido notavelmente resiliente”, afirmou o presidente-executivo da Maersk, Vincent Clerc, em comunicado.
“A demanda está sendo impulsionada não apenas pelos gastos dos consumidores, mas, cada vez mais, por grandes investimentos em eletrificação, energia e pela rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial, gerando fluxos significativos de carga industrial em todo o mundo”, disse ele.
Um aumento nos gastos com chips e data centers de IA impulsionou o comércio global e ajudou a compensar as perturbações causadas pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, afirmou a Organização Mundial do Comércio (OMC) no mês passado.
Os volumes de transporte marítimo permaneceram praticamente estáveis em relação ao ano anterior. As taxas de frete subiram 46% em relação ao trimestre anterior e mais que dobraram em relação ao ano anterior, à medida que o congestionamento nos portos persistia e a Maersk continuava seu retorno gradual ao Canal de Suez, que a maioria dos transportadores abandonou no final de 2023 após os ataques houthis no Mar Vermelho.
A Maersk informou nesta semana que seu serviço ME1, que liga a Índia à Europa, retomaria a navegação pelo canal.
A Maersk elevou significativamente suas perspectivas de lucro desde o início do ano, quando alertou que novos navios e o retorno ao Canal de Suez pressionariam as tarifas para baixo.
A Maersk ainda espera que os volumes globais de contêineres cresçam cerca de 4% este ano.
(Reportagem de Stine Jacobsen e Jacob Gronholt-Pedersen)
Fonte: Portal do Holanda
