Maior da história: Binance sofre hack de US$ 6,3 bilhões e abala mercado cripto global
A Binance, maior corretora de criptomoedas, sofreu um ataque cibernético que resultou no furto de US$ 6,3 bilhões, o maior da história do setor.
Cerca de US$ 3 bilhões foram localizados e congelados por empresas como Tether, Circle e Ripple, mas a recuperação total dos fundos ainda é incerta.
O hack causou quedas significativas nas principais criptomoedas e impactou o mercado acionário, com perdas em empresas ligadas ao setor cripto.
Uma invasão cibernética sem precedentes atingiu a Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, resultando no furto de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões). Consolidado como o maior crime cibernético da história do setor, o ataque ocorreu na última quinta-feira (29) e foi executado em um intervalo de apenas 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília).
O incidente gerou alerta máximo sobre a segurança das plataformas digitais e provocou forte instabilidade econômica. Nesta sexta-feira (30), as principais criptomoedas do mercado registraram quedas expressivas, acompanhadas por reflexos negativos no mercado acionário internacional.
Como o ataque foi executado?
As investigações seguem em andamento, mas especialistas e a própria corretora já mapearam as primeiras brechas exploradas pelos criminosos.
Inicialmente, a suspeita recaiu sobre a invasão do computador de um engenheiro da empresa. No entanto, auditorias posteriores revelaram falhas estruturais mais amplas, incluindo o comprometimento do sistema responsável por autorizar transferências de criptoativos.
Assim que o desvio foi concluído, os invasores iniciaram uma rápida movimentação dos fundos para dificultar o rastreamento e o bloqueio do montante.
Corrida contra o tempo: o paradeiro dos bilhões roubados
Até o momento, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) já foram localizados. Parte desse valor foi congelada graças à articulação conjunta com outras empresas do mercado cripto, impedindo que os hackers utilizem os recursos.
A atuação de emissores de stablecoins (moedas digitais pareadas ao dólar) foi decisiva nessa etapa:
Tether: congelou cerca de US$ 1,57 bilhão (R$ 8,5 bilhões).
Circle: bloqueou mais de US$ 800 milhões (R$ 4,3 bilhões).
Ripple: travou aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão).
A World Liberty Financial — empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua família — também colaborou com ações de bloqueio, conforme apuração da agência Reuters.
Apesar do congelamento de ativos em stablecoins, especialistas alertam que isso não significa dinheiro recuperado, mas sim paralisado. Além disso, criptomoedas descentralizadas como Bitcoin e Ether não possuem uma autoridade central capaz de paralisar transferências. Estima-se que US$ 2,4 bilhões (R$ 13 bilhões) nesses ativos estejam fora do alcance imediato de medidas de bloqueio.
Sombra norte-coreana e o posicionamento da Binance
Empresas de inteligência em blockchain, como TRM Labs e Chainalysis, apontam fortes indícios de que o ataque carrega a assinatura de hackers patrocinados pelo governo da Coreia do Norte, apresentando padrões semelhantes à invasão da corretora Bybit em 2025. O governo norte-coreano nega sistematicamente o envolvimento em crimes cibernéticos internacionais. A Binance, por sua vez, ressalta que suas investigações internas ainda não confirmaram a autoria oficial.
Diante do caos, a corretora agiu para acalmar os 335 milhões de usuários registrados globalmente (responsáveis por cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos geridos, segundo dados de 2025):
Proteção aos clientes: A Binance garantiu que os fundos dos usuários estão seguros e que cobrirá integralmente todas as perdas.
Saques suspensos: As retiradas foram temporariamente paralisadas, com previsão de normalização dos serviços em até 45 horas.
Fundo de emergência: Para arcar com o rombo, a empresa usará capital próprio e o SAFU (fundo de proteção ao usuário), embora a reserva atual de US$ 1 bilhão em Bitcoin seja consideravelmente inferior aos US$ 6,3 bilhões desviados.
Efeito dominó e abalo nos mercados
A notícia do hack causou perdas generalizadas no setor financeiro e tecnológico nesta sexta-feira (30):
Bitcoin: recuou mais de 3%, cotado a US$ 77.356,6 (cerca de R$ 417,7 mil), menor patamar em seis semanas.
Ether: caiu mais de 3%, atingindo US$ 2.178 (R$ 11,8 mil), mínima de dois meses.
BNB (token da Binance): desabou 5% em 24 horas, negociado a US$ 709,70 (R$ 3,8 mil).
No mercado tradicional, ações de empresas expostas ao setor cripto também sentiram o golpe. A Coinbase recuou 4,8% em Wall Street — embora tenha reforçado que sua própria infraestrutura não foi afetada —, enquanto os papéis da Strategy despencaram quase 6%.
O episódio coroa um ano particularmente volátil para a segurança digital: somente em 2025, o ecossistema cripto já contabilizava cerca de US$ 2,9 bilhões perdidos em aproximadamente 150 ataques cibernéticos.
Fonte: Portal do Holanda
