Marine Le Pen lança candidatura à presidência da França em meio a onda de protestos
Marine Le Pen lançou sua candidatura à presidência da França, prometendo restaurar a ordem em meio a protestos contra o custo de vida e desigualdade social.
Uma pesquisa recente indica que Le Pen lidera com 32% a 33,5% das intenções de voto, superando seu rival Jean-Luc Mélenchon, que tem 17%.
Le Pen propõe endurecer políticas de imigração e reduzir impostos, enquanto busca demonstrar unidade em seu partido, o Reagrupamento Nacional.
ORLÉANS, França, 25 Out (Reuters) – A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, favorita na corrida presidencial do próximo ano, lançou formalmente sua candidatura neste domingo prometendo restaurar a ordem e a confiança nacional.
Em um momento em que a França atravessa um de seus períodos mais turbulentos dos últimos anos, Le Pen se apresentou como a candidata mais preparada para enfrentar o que classificou como uma combinação crescente de crises econômica, social e de segurança.
"Não estamos vivendo o fim do mundo, mas o fim de um mundo, o mundo deles", disse ela, em referência a seus adversários políticos.
Le Pen escolheu fazer seu primeiro discurso de campanha em Orléans, cidade associada a Joana d'Arc, heroína guerreira do século XV reverenciada por nacionalistas franceses como símbolo de patriotismo e soberania.
Diante de uma multidão de apoiadores, ela prometeu uma política de "tolerância zero" contra o crime e afirmou que restaurar a segurança é o principal dever do Estado.
Os protestos em massa contra o aumento do custo de vida e a desigualdade social, realizados no fim de semana passado, terminaram em episódios de saques e vandalismo.
PESQUISA COLOCA LE PEN NA LIDERANÇA
A turbulência nas ruas parece ter beneficiado Le Pen. Uma pesquisa de opinião divulgada neste domingo mostrou a líder da extrema direita com entre 32% e 33,5% das intenções de voto, bem à frente de seu rival mais próximo, o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, que aparece com 17%.
O levantamento sugere que Le Pen derrotaria Mélenchon com facilidade em um eventual segundo turno, previsto para o início de maio.
Em uma tentativa de transmitir otimismo, Le Pen estruturou seu discurso em torno do tema de uma "Renascença" nacional. Segundo ela, a França vive um período de profunda transformação, mas sairá mais forte se adotar sua visão baseada em segurança, prosperidade e renovação.
"Nós dizemos: 'as coisas eram boas antes, serão melhores amanhã!'", afirmou.
Le Pen prometeu endurecer as políticas de imigração, restaurar controles de fronteira, expulsar automaticamente estrangeiros condenados por crimes e intensificar o combate a gangues e traficantes de drogas.
A própria Le Pen poderá fazer campanha usando uma tornozeleira eletrônica após ter sido condenada por desvio de recursos do Parlamento Europeu. Ela recorre da decisão judicial.
ECONOMIA, EUROPA E UNIDADE PARTIDÁRIA
Na economia, Le Pen prometeu contenção de gastos públicos, redução de impostos para empresas, menos burocracia e apoio à indústria, à inovação e à inteligência artificial. Também rejeitou novas elevações da idade mínima de aposentadoria.
O congresso partidário foi planejado para demonstrar unidade na cúpula da legenda Reagrupamento Nacional. Jordan Bardella foi reeleito presidente do partido e apresentado como a escolha de Le Pen para o cargo de primeiro-ministro.
Fonte: Portal do Holanda
