Michele Bachelet, apoiada por Brasil e México, desiste da candidatura à secretaria-geral da ONU
Michelle Bachelet anunciou sua desistência da candidatura à secretaria-geral da ONU, apoiada por Brasil e México, após receber 11 votos de desencorajamento.
A ex-presidente do Chile destacou a importância do multilateralismo e a necessidade de uma mulher latino-americana na liderança da ONU em sua carta de renúncia.
Bachelet agradeceu publicamente aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum, além do ex-presidente Gabriel Boric, pelo apoio durante sua campanha.
A ex-presidente do Chile e primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, desistiu de sua candidatura para a secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O anúncio foi feito nas redes sociais. Bachelet também divulgou uma carta de renúncia ao pleito, na qual defende o multilateralismo e a escolha de uma mulher latino-americana. Ela era a candidata do Brasil e do México para substituir o atual secretário-geral, António Guterres, que encerra seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026.
Na carta, Bachelet agradece ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à presidente do México, Claudia Sheinbaum, e também ao ex-presidente do Chile, Gabriel Boric. Segundo fontes a par do processo, os países apoiaram inclusive com seus embaixadores hospedando a ex-presidente nos países que ela visitou para fazer sua campanha eleitoral.
Bachelet diz, na carta, que o resultado da consulta informal ( straw pall )sinalizou a ela que era o momento de abrir mão da candidatura. Na votação de ontem, ela recebeu 11 votos de desencorajamento.
Leia abaixo a carta na íntegra.
Santiago, 19 de setembro de 2026
A humanidade enfrenta hoje desafios sem precedentes. Aos diversos conflitos em diferentes partes do mundo, que ameaçam a paz e a segurança, somam-se desafios relacionados às desigualdades no desenvolvimento, à crise das mudanças climáticas e à governança das novas tecnologias disruptivas. As decisões que tomarmos hoje serão determinantes para o mundo de amanhã. Por isso, as Nações Unidas (ONU) são hoje mais necessárias do que nunca em sua história. O multilateralismo, que nasceu para reunir todos os países como iguais, está sob ameaça; o direito internacional está sendo constantemente violado; nega-se a mudança climática; e os direitos humanos estão em constante perigo. Defender esses princípios foi a bandeira da minha candidatura.
Fonte: Portal do Holanda
