Na Semana de Moda de Paris verões mais longos e quentes representam novo desafio

Na Semana de Moda de Paris verões mais longos e quentes representam novo desafio

Verões mais longos e quentes desafiam o calendário da moda, forçando marcas de luxo a adaptar designs e ameaçando vendas de roupas de inverno.

Durante a Semana de Moda de Paris, temperaturas de 28 graus Celsius levaram convidados a optarem por roupas de verão em vez das coleções de outono.

O estilista Nicolas Ghesquière, da Louis Vuitton, afirmou que as ondas de calor influenciaram sua coleção, priorizando tecidos leves e cortes arejados.

PARIS, 7 Out (Reuters) – Verões mais longos e quentes estão perturbando o calendário sazonal da moda, forçando as marcas de luxo a adaptar seus designs e ameaçando as vendas de roupas de inverno, que geram margens de lucro mais altas.

O ciclo tradicional do setor há muito depende da compra de roupas de outono e inverno pelos consumidores à medida que as temperaturas caem. Mas os outonos mais quentes estão adiando a demanda por casacos e outras peças para o frio, deixando os varejistas expostos ao risco de excesso de estoque e descontos.

Em Paris, os outdoors da Saint Laurent durante a Semana da Moda mostravam uma modelo envolta em um casaco de pele grosso, enquanto o Sol brilhava e os turistas passeavam pelas ruas vestindo camisetas e shorts.

“Todo o setor deve perceber que, com as mudanças climáticas e as temperaturas mais altas, a época de vender casacos mudou para mais tarde”, disse Pau Almar, consultor do setor de varejo que trabalhou por uma década na Zara.

Essa desconexão ficou evidente durante a Semana da Moda de Paris, onde as temperaturas chegaram a 28 graus Celsius e muitos convidados optaram por blusas sem mangas e minissaias em vez das coleções de outono recém-lançadas.

Normalmente, os convidados dos desfiles de primavera/verão, realizados no final de setembro, aparecem vestidos com peças de outono/inverno recém-lançadas nas lojas. No desfile da Louis Vuitton na terça-feira, porém, os casacos eram raros.

“Não acredito que já é outubro aqui em Paris e eu estava pensando que deveria ter trazido algumas das minhas roupas de verão de Miami”, disse Suzy Buckley Woodward, uma convidada do desfile.

ADAPTAÇÃO DE DESIGNS, RISCOS NO VAREJO

O estilista da linha feminina da Louis Vuitton, Nicolas Ghesquière, já está adaptando seus designs, afirmando que as ondas de calor recordes na Europa tiveram uma “forte influência” em sua última coleção, que apresentou tecidos finos e cortes arejados.

“O foco foi em como criar roupas que fossem quase como trajes de banho, como uma segunda pele”, disse ele aos repórteres após o desfile de terça-feira.

O clima quente da semana passada fez com que alguns convidados, vestidos com roupas de outono, ficassem com calor excessivo no desfile de primavera/verão da Dior nos Jardins das Tulherias, apesar dos ventiladores de teto instalados acima da passarela.

As altas temperaturas persistentes também representam um desafio para as redes de varejo de moda de massa, à medida que as lojas começam a substituir camisetas por jaquetas e malhas, enfrentando o risco de ter que dar descontos no estoque excedente.

As lojas terão que se adaptar para vender menos casacos pesados e mais peças de transição, disse Almar.

Os lucros podem ficar sob pressão, já que os agasalhos costumam ter margens de lucro mais altas, e um inverno atrasado aumenta o risco de mais consumidores esperarem até os descontos da Black Friday, no final de novembro, para comprar um casaco novo.


Fonte: Portal do Holanda

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