Netanyahu enfrenta acerto de contas pelo 7 de outubro em primeira eleição em Israel desde ataque

Netanyahu enfrenta acerto de contas pelo 7 de outubro em primeira eleição em Israel desde ataque

O primeiro-ministro **Benjamin Netanyahu** enfrenta críticas severas em sua reeleição, após o ataque do **Hamas** em 7 de outubro, que deixou 1.200 mortos.

Moradores do kibutz **Be’eri**, onde muitos foram mortos ou sequestrados, expressam a necessidade de um "acerto de contas" com a gestão de Netanyahu e suas falhas de segurança.

Pesquisas indicam uma queda no apoio ao partido **Likud**, mas a oposição ainda não apresenta um caminho claro para a formação de um novo governo.

Por Maayan Lubell e Michal Yaakov Itzhaki

BE'ERI, 26 Out (Reuters) – Gal Cohen caminha ao longo de um muro memorial onde estão gravados os nomes dos homens, mulheres e crianças mortos no ataque do Hamas ao seu kibutz, em 7 de outubro de 2023. Para ele, a ideia de que o homem que liderava Israel naquela época — e continua liderando desde então — possa ser reeleito na terça-feira é dolorosa.

Um em cada dez moradores de seu kibutz, Be’eri, estava entre as 1.200 pessoas mortas no ataque surpresa do Hamas. Dezenas estavam entre os 251 reféns levados para Gaza. Foi o dia mais sangrento da história de Israel.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deveria ter assumido a responsabilidade e renunciado, disse Cohen, de 61 anos, para quem o fato de ele ter cumprido um mandato completo no cargo é um tapa na cara. A eleição de terça-feira, disse ele, é crucial para Israel.

“Se este governo permanecer, muitos corações e mentes ficarão despedaçados. Será realmente difícil seguir em frente”, declarou Cohen.

Muitos dos oponentes de Netanyahu veem a eleição como uma oportunidade, finalmente, de fazer um acerto de contas há muito adiado pelo pior fracasso de segurança em gerações. Mas mesmo que o primeiro-ministro mais longevo de Israel perca sua maioria, ele pode muito bem escapar do veredicto decisivo que seus adversários buscam.

Netanyahu rejeitou a culpa pela falha e resistiu aos apelos por uma investigação independente. Ele afirma que as guerras de Israel contra o Hamas em Gaza e seus aliados no Líbano e no Irã resultarão em um Oriente Médio mais pacífico.

A tarefa só estará completa com a queda dos governantes clericais do Irã, afirmou Netanyahu durante a campanha eleitoral, e somente ele tem a convicção e a credibilidade para concretizar isso.

As pesquisas de opinião vêm apontando há meses uma queda acentuada para o partido Likud, de Netanyahu. Mas uma aliança rival de partidos da direita, da esquerda e do centro, que busca destituí-lo, também não tem um caminho claro para o poder, sugerindo meses de impasse político com Netanyahu potencialmente à frente de um governo interino.

Nos dias seguintes a 7 de outubro, Be’eri estava repleta de soldados israelenses patrulhando casas queimadas e destruídas, com pisos manchados de sangue e portas perfuradas por buracos de bala. Em alguns pontos, o fedor de cadáveres ainda pairava no ar.

Os sons de bombardeios e de aviões de guerra israelenses sobrevoando Gaza eram incessantes.

Três anos depois, o kibutz está em pleno funcionamento e os sons da construção de casas novinhas em folha ecoam por toda parte nos terrenos verdejantes. Espera-se que a maioria dos membros, que agora residem em outro kibutz, retorne até o verão.

Uma comunidade coletiva fundada em 1946, hoje com cerca de 1.000 moradores, Be’eri exemplifica os valores socialistas que dominaram a política de Israel em suas primeiras décadas. Quase todos os seus votos foram para a centro-esquerda na eleição anterior de 2022, quando apenas cerca de 4% votaram em partidos da coalizão nacionalista-religiosa de Netanyahu.

O ataque fez com que os moradores questionassem as crenças de longa data de que poderia haver paz com os palestinos nesta geração.

“Todos em Be’eri deram dois passos à direita. Mas ainda acho que a maioria de nós vai ficar com a oposição, os partidos que querem substituir este governo”, disse ele.

Miri Gad Messika, 48, da terceira geração em Be’eri, ainda não decidiu em quem votar. Mas não será em Netanyahu.

“Ele falhou como líder tantas vezes. E não deveria mais estar na política”, declarou ela. “Estou procurando um líder. Infelizmente, é difícil enxergar algum líder em Israel no momento.”

“Quero ser otimista”, acrescentou ela, “e só posso esperar por uma mudança para melhor”.


Fonte: Portal do Holanda

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