Papa Leão 14 pede concessões em prol da paz enquanto guerra na Ucrânia se arrasta

Papa Leão 14 pede concessões em prol da paz enquanto guerra na Ucrânia se arrasta

O papa Leão 14 pediu aos negociadores da guerra na Ucrânia que abram mão de algumas posições para alcançar a paz, em discurso em Metz.

Durante sua visita, ele lamentou o retorno da guerra à Europa e destacou a necessidade de respeitar os valores fundadores da União Europeia.

Leão 14 também se opôs ao aumento dos gastos militares na Europa, alertando sobre a ilusão de que o rearmamento é a solução para os conflitos.

Por Joshua Mc. Elwee e Elizabeth Pineau

METZ, França, 28 Set (Reuters) – O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira que os negociadores que buscam pôr fim à guerra na Europa devem estar dispostos a abrir mão de algumas posições para alcançar a paz, à medida que os esforços para encerrar a sangrenta guerra da Rússia na Ucrânia continuam a fracassar.

O primeiro papa norte-americano, ao se dirigir aos líderes europeus em Metz, cidade natal de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, lamentou que “a guerra tenha retornado, até mesmo à Europa: um novo massacre sem sentido, ceifando inúmeras vidas de civis a cada dia”.

Apresentando sua visão política mais clara até o momento para a Europa, Leão 14 também elogiou a integração e o multiculturalismo em um momento em que a extrema direita vem ganhando força em toda a região.

Falando em francês, ele exortou os europeus a relembrarem os valores fundadores da UE, incluindo o Estado de Direito e a igualdade de todas as pessoas, sem distinção de raça, cor, classe ou profissão. Seu discurso foi recebido com uma ovação de pé.

O papa havia iniciado sua visita de quatro dias na sexta-feira com uma advertência de que as Nações Unidas e outros órgãos multilaterais estão em crise e que o diálogo internacional corre o risco de se tornar uma “farsa”.

Em Metz, nesta segunda-feira, ele voltou sua atenção para a guerra na Ucrânia — sem mencioná-la diretamente.

“Precisamos… demonstrar coragem nas negociações e estar dispostos a abrir mão de algumas posições em prol do bem maior da paz”, disse ele, invocando um apelo semelhante feito em 1917 pelo papa Bento 15 em meio à carnificina da Primeira Guerra Mundial.

Leão 14 também reiterou sua oposição ao aumento dos gastos militares europeus, que cresceram no ano passado no maior valor desde o fim da Guerra Fria, em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à assertividade russa.

“Devemos também nos precaver contra a ilusão de que o rearmamento é a resposta”, disse ele.

“Hoje devemos nos perguntar se estamos realmente envidando esforços criativos para promover a paz mundial ou se estamos simplesmente buscando ‘conter a maré da guerra’ e nos preparar melhor para guerras que presumimos que ainda estão por vir.”

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, se reuniu na semana passada com Trump em Nova York para discutir formas de pôr fim à guerra, que a Rússia iniciou em 2022 com uma invasão em grande escala que tomou um quinto do território da Ucrânia. Nenhum dos lados demonstrou qualquer disposição de ceder território.

Ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, o papa fez um apelo aos líderes europeus para integrarem os imigrantes que chegam ao continente e oferecerem a eles oportunidades como se fossem membros da família.

O papa, que frequentemente apela aos líderes para que tratem os imigrantes de forma mais humana, reiterou seu apelo por “canais legais e seguros” para a imigração e pela cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas.

“Acolher uma pessoa significa integrá-la como se fosse parte da própria família, oferecendo-lhe a oportunidade de desenvolver seus dons, habilidades e sensibilidades”, disse ele.

(Reportagem adicional de Charlotte Van Campenhout)


Fonte: Portal do Holanda

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