Preço mais alto da energia desafia atratividade do mercado livre no Brasil
A alta nos preços da energia elétrica no Brasil reduz a atratividade do mercado livre, dificultando a adesão de novos consumidores.
Descontos que antes chegavam a 40% agora estão abaixo de 10%, refletindo a disparada dos preços desde 2025.
A migração para o mercado livre deve aumentar a partir de 2027, mas a incerteza sobre a velocidade desse processo persiste entre os agentes do setor.
SÃO PAULO, 25 Set (Reuters) – Preços mais altos de energia elétrica no Brasil diminuíram a economia potencial para consumidores que queiram aderir ao mercado livre, um cenário que tende a permanecer e pode pesar sobre a atratividade do segmento no processo de liberalização a todos os consumidores do país, a partir do fim de 2027 e 2028, de acordo com empresas do ramo.
As comercializadoras de energia ainda apostam em crescimento do mercado, que passará da casa dos milhares para milhões de consumidores nos próximos anos, mas apontam que o fator "preço" pode reduzir a velocidade das adesões, a exemplo do que já acontece com os clientes aptos ao mercado livre.
Os descontos ofertados para entrada no mercado livre de energia, que há três anos podiam chegar a 40% frente aos preços do mercado regulado, atendidos pelas distribuidoras, hoje estão em menos de 10%, apontam executivos do setor.
"Lá em 2023 a gente conseguia fazer contratos de R$100 a R$150 o megawatt-hora. Hoje, para 2027, ele gira em torno da faixa de R$300", disse Maikon Del Ré Perin, especialista em risco e inteligência de mercado da Ludfor, que também atua com comercialização varejista.
A disparada dos preços de energia veio desde 2025, sobretudo após ajustes nos modelos de precificação que tornaram o sistema brasileiro mais avesso a risco. Em paralelo, o fim de um desconto a energias renováveis no uso das redes também aumentou os custos dessas fontes, impactando os valores cobrados em novos contratos entre comercializadoras e consumidores.
O "varejo" elétrico, composto por pequenas e médias empresas, cresceu aceleradamente depois da eliminação, em 2024, de barreiras para adesão ao mercado livre. Mas boa parte do mercado potencial já se esgotou, fazendo com que as migrações recuassem 34% de janeiro a julho deste ano ante igual período de 2025, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Ainda segundo Perin, os descontos possíveis para 2027 frente ao mercado regulado estão entre 5% e 10%, contra 40% há alguns anos. Ele pondera, no entanto, que esse cenário pode mudar para melhor, principalmente se as chuvas forem favoráveis à geração hidrelétrica — a hidrologia é um fator relevante para os preços de energia no Brasil.
Fonte: Portal do Holanda
