Presidente do BC do Japão pede maior foco na ancoragem da inflação em torno da meta
Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão, enfatizou a importância de ancorar a inflação em 2% antes da reunião de política monetária em 30 de outubro.
O Banco do Japão elevou a taxa básica para o maior nível em 31 anos, visando conter a inflação subjacente e suas pressões crescentes.
Ueda alertou sobre os riscos da inflação elevada, citando fatores como a guerra no Oriente Médio e a demanda por inteligência artificial como influências significativas.
TÓQUIO, 6 Out (Reuters) – O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou nesta terça-feira que está se tornando cada vez mais importante ancorar a inflação subjacente em torno da meta de 2% do banco central, sinalizando disposição para continuar aumentando a taxas de juros a fim de conter o risco de uma inflação muito alta.
As declarações foram feitas antes da reunião de política monetária de dois dias do banco central, que termina em 30 de outubro, quando as novas previsões trimestrais de crescimento e inflação serão acompanhadas de perto em busca de pistas sobre o momento do próximo aumento dos juros.
Ueda afirmou que a evolução da economia e dos preços está, em linhas gerais, em consonância com as previsões do Banco do Japão, com a economia se recuperando moderadamente e a pesquisa “tankan” do banco central indicando um clima de confiança sólido entre as empresas.
O aumento dos custos das matérias-primas está elevando a inflação no atacado, com as pressões sobre os preços se espalhando para a inflação ao consumidor, disse Ueda, acrescentando que as expectativas de inflação de longo prazo continuam a subir.
Ele também alertou para o risco de a inflação subjacente ultrapassar a meta do banco central devido às pressões sobre os preços decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, à forte demanda relacionada à inteligência artificial e ao iene fraco.
“As condições financeiras permanecem acomodatícias e continuam a sustentar a atividade econômica”, mesmo após o aumento da taxa de juros no mês passado, disse Ueda, acrescentando que o banco central continuará a elevar os custos dos empréstimos para ajustar o nível de apoio monetário.
“Tornou-se mais importante do que antes garantir que a inflação subjacente se estabilize em torno de 2%”, para que o risco de um desvio inflacionário não se concretize e prejudique a economia, acrescentou ele.
Em comunicado anunciando o aumento dos juros em setembro, o Banco do Japão limitou-se a afirmar que era “importante” ancorar a inflação subjacente em torno da meta.
O banco central japonês elevou sua taxa básica para o maior nível em 31 anos no mês passado, com Ueda sinalizando que a autoridade monetária entrou em uma fase focada em impedir que a inflação subjacente ultrapasse sua meta, aumentando a perspectiva de uma política monetária mais restritiva.
(Reportagem de Leika Kihara)
Fonte: Portal do Holanda
