Rival de Netanyahu, Eisenkot busca formar governo “amplo” em Israel, mas caminho é incerto
Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, recebeu do presidente Isaac Herzog a tarefa de formar um governo em Israel após eleições inconclusivas.
Eisenkot tem 28 dias, com possibilidade de prorrogação, para conseguir apoio suficiente no Knesset, onde sua coalizão possui 48 cadeiras.
O Likud, de Benjamin Netanyahu, conquistou 27 cadeiras, mas não alcançou a maioria necessária, complicando a formação de um governo estável.
JERUSALÉM, 8 Nov (Reuters) – O ex-chefe das Forças Armadas de Israel Gadi Eisenkot afirmou neste domingo que trabalhará para formar um governo de ampla base o mais rápido possível, mas seu caminho para o poder permanece incerto após uma eleição que resultou em impasse e não conseguiu destituir o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O presidente israelense Isaac Herzog concedeu a Eisenkot, no sábado, a primeira oportunidade de tentar formar um novo governo, depois que a eleição de 27 de outubro deixou tanto Eisenkot quanto Netanyahu sem a maioria necessária para governar.
Herzog entregou oficialmente a tarefa a Eisenkot no domingo, durante uma reunião na residência presidencial, dando início ao que Eisenkot descreveu como um processo “extraordinariamente complexo”.
“Estamos em estado de emergência, nos aproximando de um ponto sem volta para o Estado de Israel”, disse Eisenkot. “Precisamos formar um governo de emergência nacional. Isso exigirá medidas políticas criativas e não convencionais.”
Eisenkot afirmou que a democracia israelense vive um momento vulnerável e enfrenta imensos desafios, com Herzog citando a ameaça de um ataque do Irã, a necessidade de avançar rumo à paz em Gaza e as negociações com o Líbano e outros vizinhos.
“Há grande urgência por uma nova liderança, uma liderança na qual as pessoas possam olhar nos olhos e confiar”, disse Eisenkot.
Seus possíveis caminhos para o poder incluem tentar formar um governo minoritário com o apoio de partidos árabes em questões-chave, formar uma coalizão com partidos ultraortodoxos que ele e seus aliados evitaram no passado ou formar um governo de unidade com Netanyahu. Todas as três opções enfrentam obstáculos formidáveis.
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Eisenkot afirmou que convocará todos os partidos que atendam aos seus princípios fundamentais. Entre eles estão o reconhecimento de Israel como um Estado judeu e democrático; o serviço nacional obrigatório para todos, a fim de fortalecer as Forças Armadas e ampliar suas fileiras, e o reconhecimento do Hamas como organização terrorista, além do compromisso de destruir sua capacidade militar e de governar.
“Estou convencido de que é possível e correto formar rapidamente um novo governo, que obtenha ampla maioria no Knesset”, disse Eisenkot, referindo-se ao Parlamento de Israel.
Eisenkot tem agora 28 dias, além de uma possível prorrogação de 14 dias. Se ele não conseguir, Netanyahu provavelmente terá a chance de formar um governo. Caso ele também não consiga, novas eleições poderão ser convocadas.
Herzog, que consultou todos os partidos, afirmou que Eisenkot recebeu o “apoio claro e inequívoco” da maioria dos parlamentares quanto a quem tem mais chances de formar o próximo governo que conquistará a confiança do Knesset.
O Likud, de Netanyahu, conquistou o maior número de cadeiras entre todos os partidos isolados, com 27 no Knesset de 120 cadeiras, mas a ampla coalizão religioso-nacionalista de Netanyahu obteve apenas 53 no total, ficando aquém da maioria de 61 cadeiras no Parlamento de 120 cadeiras.
O partido Yashar, de Eisenkot, emergiu como o segundo maior partido, com 21 cadeiras, enquanto sua coalizão — que abrange quatro partidos liderados por judeus, desde a centro-esquerda até a direita — conquistou apenas 48 cadeiras. Dois partidos que representam a minoria árabe de Israel conquistaram um número sem precedentes de 19 cadeiras. PARTIDOS ULTRAORTODOXOS
Netanyahu pediu um governo de unidade de todos os partidos sionistas para preservar um Estado judeu, sem dar qualquer indicação se estaria disposto a atuar sob a liderança de Eisekenkot.
“Essa é a vontade do povo e a necessidade do momento”, disse ele em comunicado, descartando um governo de coalizão com os árabes — que representam 21% da população de Israel.
O que pode tornar a tarefa de Eisenkot ainda mais difícil é a posição de um líder da oposição, Avigdor Lieberman, do partido “Israel, Nosso Lar”, que descartou um governo de unidade com Netanyahu ou um governo minoritário que conte com o apoio de partidos árabes.
Mas Lieberman suavizou sua postura em relação a formar uma coalizão com partidos judeus ultraortodoxos, desde que estes concordem em apoiar uma lei que obrigue os homens ultraortodoxos a servir nas Forças Armadas.
“Dada a realidade atual, para evitar novas eleições e pôr fim à era Netanyahu, não há outra escolha a não ser tomar decisões difíceis e resolver questões nas quais seja possível haver flexibilidade e se encontre um terreno comum”, afirmou Lieberman.
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Fonte: Portal do Holanda
