Suíça rejeita regras de neutralidade que teriam restringido cooperação com Otan

Suíça rejeita regras de neutralidade que teriam restringido cooperação com Otan

Eleitores suíços rejeitaram proposta que restringiria a neutralidade do país, com cerca de 70% votando contra a inclusão de novas regras na Constituição.

O ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, afirmou que a decisão não compromete a neutralidade histórica da Suíça, que permanece inalterada.

A proposta foi criticada pelo Partido Popular Suíço (SVP), que argumentou que a neutralidade foi prejudicada pelas sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia.

Por Marleen Kaesebier e John Revill

ZURIQUE, 27 Set (Reuters) – Eleitores suíços rejeitaram categoricamente neste domingo uma proposta que adotaria uma forma mais restritiva de neutralidade e poderia impedir o país de impor sanções econômicas ou cooperar com a Otan.

Todos os cantões e cerca de 70% dos eleitores rejeitaram a proposta de incluir na Constituição suíça uma definição mais rígida de neutralidade, segundo os resultados finais divulgados pelo Escritório Federal de Estatística.

“Este resultado não é um voto contra a neutralidade. A Suíça era neutra ontem, é neutra hoje e continuará neutra no futuro”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, em uma coletiva de imprensa após o anúncio do resultado.

Embora a neutralidade suíça seja internacionalmente reconhecida desde o fim das guerras napoleônicas, em 1815, a forma como o governo a implementa não está explícita.

O Partido Popular Suíço (SVP), de direita, afirmou que a posição tradicional da Suíça ficou prejudicada após Berna impor sanções à Rússia após a invasão da Ucrânia.

A campanha financiou cartazes em todo o país instando as pessoas a votarem “Não à guerra, sim à neutralidade”, com pombas brancas da paz, antes da votação.

Cassis afirmou que a rejeição permite que a Suíça continue decidindo sobre sanções econômicas caso a caso e coopere com parceiros quando isso fortalecer a segurança do país, a qual, segundo ele, também depende da segurança de seus vizinhos e do continente europeu.

(Reportagem de John Revill e Marleen Kaesebier, em Zurique)


Fonte: Portal do Holanda

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