Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após Lula superar Flávio na eleição

As taxas dos DIs subiram mais de 250 pontos-base após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, surpreendendo o mercado financeiro.

A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 14,8%, enquanto a de janeiro de 2031 alcançou 15,185%, refletindo preocupações com a política fiscal futura.

O Tesouro cancelou leilões de títulos e promoveu recompra de R$14,8 bilhões em papéis para tentar estabilizar o mercado após a disparada das taxas.

SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

A disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta. A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.

Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.

Isso porque com Flávio no Planalto o mercado enxergava chances maiores de controle das contas públicas — ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.

Como Lula venceu, o mercado voltou a incorporar prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal. O movimento ocorreu em paralelo à forte queda do Ibovespa e à disparada do dólar ante o real.

A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o que sugere que o mercado não apenas reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.

A taxa do DI para janeiro de 2031, por exemplo, que encerrou a sessão regular desta segunda-feira em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

Assim como a B3, o Tesouro atuou ao longo do dia para tentar acalmar o mercado. O órgão anunciou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira. Por outro lado, manteve o leilão regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Em outra frente, o Tesouro recomprou cerca de R$7,1 bilhões de títulos prefixados em posse do mercado no fim da manhã e mais R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde. Ao promover a recompra de títulos, o Tesouro atuou para suavizar a disparada das taxas.


Fonte: Portal do Holanda

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