Taxas dos DIs recuam com petróleo em baixa e eleição no radar
As taxas dos DIs fecharam em baixa, com a taxa para janeiro de 2028 em 13,475%, refletindo a queda do petróleo e expectativas eleitorais.
A pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro com 42% e Luiz Inácio Lula da Silva com 41% das intenções de voto, em empate técnico para o segundo turno.
A arrecadação do governo federal cresceu 8,25% em agosto, enquanto a Secretaria de Política Econômica reduziu a projeção do PIB de 2,3% para 2,0% em 2023.
SÃO PAULO, 22 Set (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com baixas, refletindo o recuo do petróleo no exterior em meio à expectativa de que as negociações entre EUA e Irã possam avançar, enquanto no Brasil a disputa presidencial e a ata do último encontro do Copom também influenciaram os negócios.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,475%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,528% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,95%, com queda de 8 pontos-base ante 14,028%.
Na noite de segunda-feira, uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico na disputa pelo Planalto. Na semana anterior, Flávio tinha os mesmos 42% e Lula somava 40%.
Dois profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que, embora persista o empate técnico na pesquisa Quaest, o fato de a vantagem numérica de Flávio no segundo turno ter diminuído foi mal-recebido. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.
Em função disso, as taxas dos DIs sustentaram ganhos durante boa parte da manhã, ainda que no exterior os rendimentos dos Treasuries e o petróleo estivessem em baixa em meio à esperança de que EUA e Irã possam chegar a um acordo.
Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Ao mesmo tempo, afirmou que pode “aniquilar a República Islâmica” se um acordo de paz não for alcançado.
Após o discurso, Trump disse a repórteres que autoridades dos dois países tiveram uma reunião “muito boa”, de três horas, nesta terça-feira.
“Trump deu declarações um pouco mais otimistas em relação ao Irã, e isso ajudou a reduzir o preço do petróleo", comentou à tarde o estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, para quem o cenário externo ajudou a conduzir as taxas dos DIs para o território negativo.
Após marcar a máxima de 14,085% (+6 pontos-base) às 9h21, ainda na primeira meia hora do dia, a taxa do DI para janeiro de 2035 perdeu força durante a tarde e atingiu a mínima de 13,95% (-8 pontos-base) no encerramento da sessão regular, quando o petróleo Brent oscilava abaixo dos US$99 o barril.
Mais cedo, os investidores também digeriram a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que defendeu a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação.
“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou o BC no documento.
Para o economista Carlos Lopes, do banco BV, o cenário para o próximo encontro do Copom segue "completamente aberto".
Fonte: Portal do Holanda
