Taxas longas fecham com leves baixas apesar de alta dos rendimentos dos Treasuries

As taxas dos DIs de longo prazo fecharam com leves baixas, com a taxa para janeiro de 2028 em 13,62% e a de 2035 em 14,145%.

A pesquisa do Datafolha mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% das intenções de voto, indicando empate técnico.

O Banco do Japão elevou sua taxa para 1,25%, o maior nível em 32 anos, reforçando a tendência de aperto monetário nas economias desenvolvidas.

SÃO PAULO, 18 Set (Reuters) – Após subirem pela manhã, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries, as taxas dos DIs de longo prazo fecharam a sexta-feira com leves baixas, enquanto o noticiário eleitoral seguiu permeando os negócios.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,62%, praticamente estável ante o ajuste de 13,617% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,145%, com baixa de 5 pontos-base ante 14,196%.

Na quinta-feira as taxas haviam fechado com baixas após uma pesquisa Atlas. Intel/Bloomberg mostrar leve fortalecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto.

Nesta sexta-feira os investidores digeriram a nova pesquisa do Datafolha, mostrando um cenário de estabilidade. Lula tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio. Os percentuais são os mesmos da pesquisa da semana anterior e indicam empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Algumas pesquisas favoráveis a Flávio nas últimas semanas vinham sustentando o “trade eleitoral”, que se traduz na alta do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs.

Isso porque Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Na véspera o governo anunciou o reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal de R$5,8 bilhões este ano e US$22 bilhões no próximo.

Nesta sexta-feira o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior deu suporte à curva brasileira até o início da tarde, mas após as 13h as taxas perderam força e passaram a exibir leves baixas, em especial na ponta longa da curva.

Operador ouvido pela Reuters citou certo “exagero” pela manhã no avanço dos prêmios no Brasil, o que fez parte dos investidores realizar lucros à tarde, vendendo taxa. A agenda econômica relativamente esvaziada e a ausência de novidades de impacto na disputa eleitoral também deixaram a curva relativamente acomodada.

Após atingir a máxima de 14,255% (+6 pontos-base) às 9h41, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a marcar 14,135% (-6 pontos-base) em alguns momentos da tarde.

A perda de força das taxas no Brasil durante a tarde ocorreu a despeito de no exterior os rendimentos dos Treasuries seguirem em alta, com investidores elevando ligeiramente as apostas de novo aumento de juros pelo Federal Reserve em outubro.

Após o Fed ter subido juros na última quarta-feira, o Banco do Japão (BoJ) anunciou nesta sexta-feira o aumento de sua taxa para 1,25%, o maior nível em 32 anos. A decisão do BoJ reforçou a percepção de que a atual tendência nas economias desenvolvidas é de aperto monetário, em meio à pressão inflacionária trazida pela guerra no Oriente Médio.

Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 6 pontos-base, a 5,004%. No mesmo horário, o petróleo Brent cedia 1,67%, para US$103,07 o barril.


Fonte: Portal do Holanda

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