Trump retoma tentativa de demitir diretora do Fed Cook, com nova investigação da Casa Branca
Donald Trump iniciou uma nova investigação contra a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, com uma audiência marcada para 5 de novembro.
Os advogados de Cook afirmam que não há base legal para sua demissão e que a audiência deve comprovar sua inocência.
Cook, nomeada por Joe Biden, foi alvo de tentativas de demissão por Trump desde 2025, desafiando a independência do banco central.
WASHINGTON, 9 Out (Reuters) – O presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou uma nova investigação contra a diretora do Federal Reserve Lisa Cook, semanas antes das eleições para o Congresso, convocando um comitê investigativo e ordenando uma audiência sem precedentes na Casa Branca sobre as alegações de que ela teria prestado declarações falsas em pedidos de empréstimos hipotecários.
Trump vem tentando demitir Cook há mais de um ano, à medida que busca exercer maior controle sobre um banco central que, segundo ele, se recusa, por motivos políticos, a reduzir as taxas de juros. Os advogados de Cook afirmaram nesta sexta-feira que qualquer audiência justa demonstraria que não há fundamento legal para demiti-la.
“Como presidente, é minha função garantir que as leis sejam fielmente cumpridas, inclusive demitindo subordinados em quem não se pode confiar para dizer a verdade e seguir a lei”, disse Trump em um comunicado publicado no site da Casa Branca nesta sexta-feira.
“Para me auxiliar no cumprimento dessa responsabilidade, o comitê investigará as alegações contra a diretora Cook e me informará se há ‘motivo’ para a destituição da diretora Cook”, segundo o comunicado, datado de 7 de outubro.
O comitê realizará uma audiência presencial e fechada de quatro horas na Casa Branca em 5 de novembro “para analisar as provas e as alegações contra a diretora Cook”, informou o memorando presidencial.
A audiência ocorrerá dois dias após as eleições que determinarão se o Partido Republicano de Trump manterá o controle da Câmara e do Senado, cujos membros são responsáveis por confirmar os indicados presidenciais para o Fed. Uma destituição bem-sucedida de Cook criaria uma vaga na diretoria de sete membros do Fed.
Se a audiência for “de alguma forma objetiva, a conclusão será de que a diretora Cook não cometeu fraude hipotecária, não havendo motivo para destituí-la da Diretoria do Federal Reserve”, afirmaram os advogados de Cook, Abbe Lowell e Norm Eisen, em comunicado. “A diretora Cook acolhe com satisfação a oportunidade de apresentar os fatos para que possa limpar seu nome e demonstrar que não há base legal para demiti-la.”
Eles afirmaram ter mantido contato com a Casa Branca a respeito do processo.
Trump tentou pela primeira vez demitir Cook, a primeira mulher negra a integrar a diretoria do banco central, em agosto de 2025. Nenhum presidente jamais havia tentado demitir um diretor do Fed em exercício antes. Considera-se amplamente que os bancos centrais precisam de independência política para garantir sua capacidade de combater a inflação conforme necessário.
DECISÃO DA SUPREMA CORTE SOBRE A DESTITUIÇÃO NO FED
Cook entrou com uma ação judicial, alegando que não havia feito nada de errado. O caso levou a uma decisão da Suprema Corte dos EUA neste ano, determinando que o presidente não poderia destituir um diretor do Fed à sua vontade, e que precisaria seguir um processo claro que estabelecesse uma “causa” para a demissão e permitisse uma defesa.
A decisão manteve Cook em seu cargo, mas remeteu o processo contra ela de volta a um tribunal federal de primeira instância, onde a juíza Kia Cobb estabeleceu, no mês passado, o prazo de 6 de novembro para que os advogados de Trump e de Cook apresentassem uma proposta conjunta para o andamento do processo.
Cook foi nomeada para a diretoria do Fed em 2022 pelo então presidente Joe Biden, do Partido Democrata, e foi renomeada em 2023 para um mandato que se estende até 2038. Ela sempre votou com a maioria no comitê de formulação de política monetária do Fed, que no mês passado elevou as taxas de juros sob a liderança de Kevin Warsh, nomeado por Trump para suceder Jerome Powell em maio.
“Trump parece acreditar que a razão pela qual o Fed adotou uma postura mais restritiva é porque o chair por ele escolhido, Warsh, está cercado por uma Diretoria do Fed hawkish (agressiva com a inflação) e politicamente hostil”, escreveu o analista da Evercore ISI, Krishna Guha. A criação do comitê de inquérito por Trump “constitui um reforço de sua ameaça à independência do Fed e será contraproducente em relação ao desejo do presidente de taxas de juros mais baixas”.
O principal assessor de política econômica de Trump, Kevin Hassett, a presidente da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego, Andrea Lucas, e o diretor interino do Escritório de Ética Governamental, Keith Sonderling, comporão o comitê recém-formado, segundo o memorando. Esses membros, seus representantes ou funcionários do Departamento de Justiça interrogarão Cook por “não mais do que quatro horas”.
O comitê apresentará sua recomendação a Trump sobre se há motivos para destituir Cook “assim que for possível”, após o prazo de 10 de novembro para que Cook apresente qualquer declaração pós-audiência, segundo o memorando.
A senadora Elizabeth Warren, principal democrata no Comitê de Bancos do Senado que supervisiona o Fed, chamou a audiência de “tribunal irregular” e parte da “perigosa tentativa de Trump de assumir ilegalmente o controle do banco central de nosso país”.
Trump alegou que Powell, que permaneceu no Fed como diretor, pode ter se envolvido em irregularidades financeiras relacionadas às reformas do prédio do Fed — uma alegação que desencadeou uma investigação criminal do Departamento de Justiça, agora encerrada, e foi rejeitada no mês passado por uma agência independente de fiscalização.
(Reportagem de Doina Chiacu, Susan Heavey, Michael S. Derby, Ann Saphir e Howard Schneider;)
Fonte: Portal do Holanda
