Tyson Foods reduz previsão de lucro diante de escassez de gado nos EUA
A Tyson Foods reduziu sua previsão de lucro para 2026, esperando um lucro operacional ajustado entre US$2,1 bilhões e US$2,3 bilhões.
A escassez de gado nos EUA resultou em um prejuízo operacional ajustado de US$500 milhões a US$650 milhões no segmento de carne bovina.
Os volumes de vendas de carne bovina caíram 15,9%, enquanto as vendas de frango cresceram 1%, ajudando a compensar a fraqueza no setor.
Por Tom Polansek e Neil J Kanatt
3 Ago (Reuters) – A Tyson Foods reduziu sua previsão de lucro anual nesta segunda-feira, alertando que as perdas em seu segmento de carne bovina tendem a aumentar, já que a escassez de gado nos EUA mantém os custos com o rebanho em níveis elevados.
As empresas de processamento de carne dos EUA têm registrado prejuízos em seus negócios de carne bovina porque o aumento dos custos com o gado superou os ganhos decorrentes da alta nos preços dos bifes e da carne para hambúrguer.
A redução na previsão da Tyson sinaliza mais dificuldades financeiras para o setor, depois que a empresa fechou uma processadora de carne bovina em Nebraska este ano e reduziu as operações em uma unidade no Texas, demitindo milhares de trabalhadores.
A oferta de gado caiu para o nível mais baixo em 75 anos depois que uma seca prolongada afetou pastagens no oeste dos EUA e o governo de Washington suspendeu as importações do México na tentativa de impedir a entrada de um parasita. No entanto, larvas da mosca-do-novo-mundo foram detectadas em junho em fazendas do Texas e no Novo México, após se deslocarem para o norte pela América Central.
Diante da pressão para reduzir os custos para o consumidor, o governo Trump afirmou que planeja começar a suspender a proibição de importação ainda este mês. Pode levar até um ano para que a Tyson se beneficie da medida, pois o gado de recria importado precisa passar um tempo pastando ou sendo engordado em confinamentos para ficar pronto para o abate, disse o diretor de operações Wes Morris em uma teleconferência.
"A reabertura da fronteira com o México não resolverá totalmente o problema das perdas no setor de carne bovina que estamos observando atualmente", disse o presidente-executivo Donnie King na teleconferência. O reinício das importações dos EUA poderia levar a alguma melhora a partir de 2027, acrescentou ele.
PERSPECTIVAS MAIS FRACAS PARA A CARNE BOVINA
A Tyson espera um lucro operacional ajustado para o ano fiscal de 2026 entre US$2,1 bilhões e US$2,3 bilhões, em comparação com sua previsão anterior de US$2,2 bilhões a US$2,4 bilhões.
Para seu negócio de carne bovina, a empresa prevê um prejuízo operacional ajustado de US$500 milhões a US$650 milhões, em comparação com a expectativa anterior de um prejuízo de US$350 milhões a US$500 milhões.
"O setor de carne bovina não teve o desempenho que esperávamos, e não estamos fingindo o contrário", disse King.
Os volumes de vendas de carne bovina caíram 15,9% no trimestre encerrado em 27 de junho, enquanto os preços subiram 12,1%.
ALGUNS CONSUMIDORES RECORREM AO FRANGO, MAIS BARATO
Com o aumento dos preços da carne bovina, alguns consumidores passaram a optar pelo frango como fonte mais barata de proteína, ajudando a Tyson a compensar parte da fraqueza em seu segmento de carne bovina, que é maior. O volume de vendas de frango cresceu 1% durante o trimestre, enquanto a margem operacional ajustada do segmento aumentou 11,2%.
A Tyson afirmou que espera "mais um ano positivo" em seus negócios de frango em 2027.
"Assim que o segmento de carne bovina se recuperar, mesmo que o momento ainda seja incerto, a Tyson poderá estar bem posicionada para apresentar um crescimento significativo nos lucros", disse Arun Sundaram, analista da CFRA Research.
A Tyson divulgou vendas trimestrais de US$13,87 bilhões, abaixo da estimativa dos analistas de US$14,12 bilhões.
A empresa espera um crescimento anual da receita de 2,5% a 3,5%, em comparação com a expectativa dos analistas de um crescimento de 4,3%, de acordo com dados compilados pela LSEG. Anteriormente, a empresa havia previsto um crescimento de 2% a 4%.
(Reportagem de Tom Polansek, em Chicago, e Neil J. Kanatt, em Bengaluru)
Fonte: Portal do Holanda
