BNDES prevê R$34 bi para leilão de baterias, mas mais recursos serão necessários, diz executivo

BNDES prevê R$34 bi para leilão de baterias, mas mais recursos serão necessários, diz executivo

O BNDES estima disponibilizar até R$34 bilhões para o primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia, mas mais recursos serão necessários.

O Fundo Clima e o programa Mais Inovação são as principais fontes de financiamento, mas limitam o desembolso a R$1 bilhão por grupo econômico anualmente.

O leilão, marcado para dezembro, recebeu um recorde de 296 gigawatts em projetos cadastrados, ampliando as opções de segurança energética no Brasil.

SÃO PAULO, 11 Set (Reuters) – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estimou até R$34 bilhões em recursos de suas linhas incentivadas para financiar projetos de armazenamento de energia no primeiro leilão para a tecnologia, mas entende que mais fontes de financiamento serão necessárias, disse o chefe de departamento de transição energética e clima do banco, Alexandre Siciliano Esposito, nesta sexta-feira.

Segundo o executivo, há uma indicação preliminar de R$34 bilhões considerando tanto o Fundo Clima, que financia diversas iniciativas voltadas à transição energética e descarbonização, quanto o programa Mais Inovação. Mas uma definição mais clara do montante deve vir até o final do ano, com as discussões para a lei orçamentária de 2027.

"O Fundo Clima tem um potencial de uso muito maior… o BESS (sistema de armazenamento de energia) pontua mais do que outras tecnologias renováveis. Então, ele (Fundo Clima) deve ser realmente o principal veículo", avaliou Esposito, às margens de um evento da consultoria CELA e do IFC, do Banco Mundial.

Já o BNDES Mais Inovação é uma linha mais "transversal", que envolve vários tipos de inovação e digitalização, além de ter um orçamento um pouco menor, acrescentou.

Apesar do potencial das linhas incentivadas, Esposito observou que há algumas limitações que tendem a reduzir o desembolso efetivo para cada projeto. No caso do Fundo Clima, ele citou o limite de R$1 bilhão por grupo econômico para financiamentos a cada 12 meses.

"Há clientes que estão estudando portfólios de bilhões de reais (para o leilão de baterias)… Esse limite de R$1 bilhão, ele direciona estratégia de 'blends', tem que buscar mais bolsos, mercado, debêntures, multilaterais, entre outros."

Ele observou ainda que a necessidade de financiamento vai aumentar a depender da demanda de contratação de baterias pelo governo no leilão, que tem potencial de ser "explosiva".

"O último leilão de capacidade, de térmica e hídrica, esse investimento era mais de R$60 bilhões, e é a tecnologia tradicional. Então, enfim, estamos na expectativa."

Ele lembrou ainda que o BNDES está trabalhando com fornecedores de baterias para a nacionalização de projetos participantes do leilão, que terá uma disputa específica para baterias com conteúdo nacional.

Conforme informações do site do banco de fomento, WEG, Moura, You. On, TBEA, Gotion, Trina e BYD já declararam compromisso de fabricação local de BESS. Mas essas empresas ainda passarão por etapas técnicas para garantir o cumprimento das exigências de conteúdo nacional de seus projetos.

Marcado para dezembro, o primeiro leilão do Brasil para contratação de sistemas de armazenamento de energia recebeu cadastramento recorde de mais de 296 gigawatts (GW) de projetos. Os empreendimentos ainda passarão por análise e habilitação ​técnica para poderem ​efetivamente participar do leilão.

O certame é amplamente aguardado pelo setor elétrico, uma vez que ampliará o leque de recursos de segurança energética do Brasil em meio ao forte crescimento das fontes renováveis de energia, e já tem mobilizado diversos investidores, incluindo fabricantes estrangeiras e nacionais do segmento.

(Por Letícia Fucuchima; Edição de Eduardo Simões)


Fonte: Portal do Holanda

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