Boi Caprichoso apresenta o Boi de Arena para as três noites de Festival Folclórico

Boi Caprichoso apresenta o Boi de Arena para as três noites de Festival Folclórico

A Amazônia pelos olhos de quem nela vive para “plantar sementes de arte” é a proposta central que o boi-bumbá Caprichoso vai apresentar no 55º Festival Folclórico de Parintins com o tema “Amazônia: Nossa Luta em Poesia”. A proposta para o boi de arena foi apresentada à imprensa nessa quinta-feira (23), no memorial do Curral Zeca Xibelão. O bubmá azul e branco fecha a primeira noite do festival.

O viés de luta dos povos da floresta será enfatizado durante as três noites de festa. Segundo o presidente do conselho de arte do boi azul, Erick Nakanomi, tudo o que será visto no Bumbódromo foi maturado desde o fim de 2019, com o tema “Terra: Nosso Corpo, Nosso Espírito” que não foi apresentado por conta da pandemia.

“Nesse período nós tivemos dias que fomos distribuir brinquedos e tivemos voltar à cidade para levar o boi ao cemitério para dançar sobre as sepulturas. É mais do que uma disputa, essa é uma bandeira que vamos fincar no chão da arena pra dizer que o festival voltou”, disse Erick, bastante emocionado ao lembrar das vítimas da covid-19.

Ainda conforme o conselheiro, o touro negro pretende plantar no coração do torcedor azulado e de todo o mundo sementes de preservação a partir do canto da floresta, do povo e da arte, dessa forma transformando a festa de boi-bumbá em um caminho para descolonização do pensamento do povo amazônida conforme as propostas antropológicas de David Kopenawa e ambientais de Ailton Krenak.

Para ressaltar isso, o bumbá deve trazer à arena ativistas indígenas como Alessandra Munduruku, Jilvana Borari; e ambientais como Ângela Mendes – filha de Chico Mendes, dentre outros. Além disso, o Caprichoso deve dedicar uma noite inteira para festejar o poder da cura que a arte trouxe para Parintins, através da cultura que resiste às adversidades.

“O que salvou a saúde mental do Amazonas e de muita gente que curte o boi, foi o próprio boi. O boi tem essa potência revolucionária de esperançar, de segurar nas nossas mãos para que nós não tivéssemos resistido”, declarou.

Primeira noite
Logo na primeira noite do festival, a nação azul e branca deve mostrar para que veio, com a narrativa ‘Amazônia-Floresta: Grito da Vida’. Serão apresentados dois momentos aguardados pelo torcedor.

O primeiro dele será a alegoria ‘Ka’apora’rãga’, a guardiã da floresta, que deve traduzir o gigantismo da região amazônica em seus 22 metros de altura, abrindo o espetáculo, onde será representada “Pachamama” a mãe Terra.

Em seguida a alegoria deve se transformar no item lenda amazônica. É dali surgirá Ka’apora’rãga, o espírito que protege a floresta. Junto com outras criaturas sagradas como o curupira , mapinguari lutaram contra a invasão de garimpeiros.

O momento tribal fará memória ao processo de colonização na região amazônica com a ‘A crueldade do conquistador – o roubo da terra’ que será dividido em duas partes. O primeiro pensado a partir de uma profecia e em seguida o processo de genocídio dos indígenas na colonização espanhola.

Para concorrer a toada, letra e música nesta noite Caprichoso a toada-tema com ‘Amazônia: Nossa Luta em Poesia’ como um manifesto do povo da floresta. A figura típica regional será o caboclo ribeirinho e sua relação com a água e a rainha do folclore representando a ‘Mãe d’água’.

Para encerrar a noite será apresentado o ritual mais aguardado pela galera o ‘Tupari: Sucaí, o Tarupá da Friagem’ que traz um alerta ao desequilíbrio climático e ao negacionismo como caminho da morte.

Segunda noite
A segunda noite do boi azulado abordará ‘Amazônia-aldeia: o brado do povo’ para falar da floresta como grande mãe que acolhe os povos tradicionais e os que chegam de outras localidades em busca da felicidade, mas também sobre a ilusão de riqueza quando se recebe apenas exploração. Para este sábado, o Caprichoso abre a noite de apresentações.

Caprichoso abre com a apresentação da figura típica regional ‘o caboclo da mata’ para mostrar toda a sabedoria do povo da mata que pede permissão da floresta pra usar suas benesses. E ainda deve mostrar a chegada desse conhecimento aos laboratórios para ser transformado em ciência.

A floresta é descortina e se transforma pra a exaltação folclórica ‘Boi de Quilombo’, para exaltar as raízes negras o bumbá e o multiculturalismo da brincadeira de boi que ao longo dos anos ganhou a roupagem amazônida. A alegoria desse momento terá como figura central Iemanjá e o Caprichoso. Para compor o terreiro será entoada a letra ‘Festança Multicultural’.

Para aproveitar o momento de ancestralidade, o bumbá trará a representação das mulheres indígenas como lideranças tribais e políticas. Logo depois será apresentado a Lenda Amazônia ‘Os Trilhos da Morte’ com a narrativa da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, conhecida como “ferrovia do diabo”, por, segundo os contos, ser abrigo para visagens.

O ritual indígena escolhido foi ‘Wayana-Apalai’ que fechará a noite contando a história dos povos que habitam a fronteira do Brasil com o Suriname e que inicialmente eram um só povo, até que surgiram mortes inexplicáveis e trava uma guerra sem saber que na realidade Tuluperê – a fera de duas cabeças, era o autor das mortes.

Terceira noite
Para encerrar as apresentações, o Caprichoso trará todo a sua expressão cultural com “Amazônia-festeira: o clamor da cura”, para mostrar um pouco da arte-esperança capaz de salvar vidas, principalmente, durante a pandemia.

“O brincador de boi – viva a Cultura Popular” será a figura típica da última noite que pretende imortalizar personagens caricatos do boi da Francesa, que ajudaram na composição dos festejos parintinenses e promete trazer uma surpresa para a galera.

Na celebração indígena, foi escolhido “Amazônia: nosso corpo e nosso espírito” que encenará na arena o que não foi apresentado em 2020, em que os povos da floresta, referenciado pelas tribos que habitam o Parque do Xingú, veem seus territórios ameaçados e doentes. Para tratar o problema a arma será o folclore e a poesia.

Como a lenda amazônica “o pássaro primal e o nascer das aves”, trará o imaginário dos Kayapó para o bumbódromo com a luta contra o gavião gigante que ameaça o povo. O ritual que encerrará o espetáculo azul e branco será ‘Yanomami Reahú, Festa da Vida-Morte-Vida’, com a reflexão sobre o costume do povo de enterrar seus mortos e que também foi cerceado durante a pandemia.

Fonte Acrítica

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