Festival de Parintins: Primeira noite Garantido e Caprichoso se apresentam e emociona o público
A 55ª edição do Festival Folclórico de Parintins iniciou nesta sexta-feira (24), com a tradicional disputa entre os bois Caprichoso e Garantido. Os bumbás iniciaram a primeira noite com discursos em defesa da Amazônia e dos povos que vivem na região.
Garantido abriu o Festival de Parintins depois de dois anos da festa suspensa por conta da pandemia de covid-19. O tema que o boi defendeu este ano foi a “Amazônia do Povo Vermelho”, com o objetivo de exaltar o brado dos povos da floresta por um mundo melhor.
O Boi Garantido destacou o processo de formação histórica e cultural, com foco na influência indígena e cabocla.
No começo da apresentação do bumbá, surgiram espíritos que vagaram pelo bumbódromo, na companhia do pajé que comandou o rito tribal.
Inovando, ainda trouxe mulheres tuxauas, símbolos da liderança indígena, uma a representação do empoderamento feminino e o rompimento com o patriarcado.
Uma batalha com cobras encantadas finalizou a apresentação do boi vermelho e branco, contando a história de honorato e caninana, a lenda amazônica encenada na arena e de onde surgiu a Cunhã Poranga.
Torcedor do bumbá vermelho, o professor Alan Lira, destacou que o sentimento de emoção marcou o retorno do boi do coração. “Esse festival está vindo com muita emoção, com muito sentimento mesmo”, destacou.
Boi Caprichoso
A empolgação continuou na ilha, mas dessa vez em azul e branco. O Boi Caprichoso entrou na arena para defender o tema “Amazônia nossa luta em poesia” e o primeiro ato foi um manifesto em defesa da floresta e contra as ações de destruição que ameaçam a vida de plantas, bichos e os povos da amazônia.
A chegada do boi da estrela foi iluminada pelo brilho dos vagalumes que tomaram conta da galera, da arena e logo transformou o Bumbódromo de Parintins em um verdadeiro céu de estrelas.
O bumbá ainda trouxe a lenda amazônica da ka’aporanga, a guardiã da floresta para o povo maraguá, O lao de criaturas lendárias responsáveis pela defesa da floresta, como o mapinguari, o curupira e a Cunhã Poranga do Boi Caprichoso, foi uma representação da luta contra exploradores e devastadores que ameaçam a região.
Caprichoso surgiu na arena descendo do céu , acompanhado pela Sinhazinha da Fazenda com quem trocou passos de balé clássico e evoluiu para a arquibancada azul e branca.
A professora Ana Claudia Sá levou o filho de 11 anos para prestigiar o Festival de Parintins pela primeira vez. “É a primeira vez que ele entra no Bumbódromo, ele tem dez anos e é apaixonado por esse boi. A gente tava morrendo de saudade, o Caprichoso é um espetáculo”.
A apresentação contou ainda com participação do caboclo ribeirinho como figura típica regional e o sobrevoo mágico do pajé pra anunciar a chegada das tribos indígenas .
A noite encerrou com a friagem trazida pelo Sucaí, entidade sobrenatural que incide sobre as questões climáticas na crença do povo tupari, e o frio só foi embora com a dança ritual do xamã da aldeia que trouxe as chamas da esperança que aqueceram a tribo, afastando o mau tempo e encerrando o espetáculo do Boi Caprichoso.

