Cérebro é ainda mais poderoso do que se imaginava: cada neurônio funciona como uma minirrede

Cérebro é ainda mais poderoso do que se imaginava: cada neurônio funciona como uma minirrede

Um estudo publicado na revista Science revela que neurônios funcionam como pequenas redes neurais, desafiando a visão tradicional de unidades isoladas.

Pesquisadores usaram tecnologia de imagem por voltagem para registrar a atividade elétrica de neurônios no hipocampo de camundongos em ambientes virtuais.

Os resultados mostram que dendritos processam informações de forma independente, sugerindo uma capacidade computacional do cérebro muito além da soma de seus neurônios.

Neurônios têm centenas de ramificações (dendritos) que recebem sinais de células vizinhas

Um dos maiores mistérios sobre o funcionamento do cérebro é como ele consegue realizar tantas tarefas complexas gastando relativamente pouca energia. Por décadas, a neurociência tratou cada um dos 86 bilhões de neurônios do cérebro humano como uma única unidade de processamento, uma espécie de "computador" isolado. Mas um novo estudo publicado na revista Science trouxe a primeira evidência direta, em animais vivos, de que isso é uma simplificação: os neurônios seriam, na verdade, muito mais parecidos com pequenas redes neurais completas.

A pesquisa mostrou que os dendritos — os prolongamentos ramificados que se espalham a partir do corpo de cada neurônio e recebem sinais de milhares de células vizinhas — não são apenas "cabos" que transmitem informação de forma passiva, como se pensava até pouco tempo atrás. Usando uma tecnologia de imagem por voltagem, cientistas conseguiram registrar a atividade elétrica de partes isoladas de neurônios no hipocampo de camundongos, região do cérebro ligada à memória e à orientação espacial, enquanto os animais exploravam ambientes virtuais em busca de recompensas.

Os resultados surpreenderam: em ambientes já conhecidos pelos animais, a atividade dos dendritos costumava acompanhar a do corpo celular do neurônio. Porém, diante de um ambiente totalmente novo, alguns dendritos passaram a representar a nova localização antes mesmo do corpo celular "perceber" a mudança, que só se ajustava depois de repetidas explorações. Esse comportamento sugere que os dendritos processam informações de forma independente, funcionando quase como pequenos dispositivos de memória dentro da própria célula.

A descoberta reforça uma ideia defendida por parte da comunidade científica há cerca de trinta anos e sugere que a capacidade computacional do cérebro pode ser muito maior do que a simples soma de seus bilhões de neurônios. Para especialistas que acompanharam o estudo, cada neurônio isolado já poderia ser comparado a uma rede neural em miniatura, o que ajuda a explicar como o cérebro consegue ser tão flexível e eficiente mesmo com um gasto energético relativamente baixo.


Fonte: Portal do Holanda

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