Deputados democratas buscam impedir acordo nuclear de Trump com Arábia Saudita
Democratas da Câmara dos Deputados dos EUA apresentaram uma resolução de desaprovação para impedir o acordo nuclear de Donald Trump com a Arábia Saudita.
O acordo, enviado ao Congresso em agosto, permite que a Arábia Saudita enriqueça urânio, gerando preocupações sobre a proliferação nuclear na região.
A Câmara, sob a liderança de Mike Johnson, não deve votar a resolução antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
WASHINGTON, 17 Set (Reuters) – Os democratas da Câmara dos Deputados dos EUA manifestaram preocupação nesta quinta-feira com o acordo nuclear civil do presidente Donald Trump com a Arábia Saudita e afirmaram ter apresentado uma resolução de desaprovação com o objetivo de impedir que o acordo entre em vigor.
Trump enviou a proposta de acordo ao Congresso em agosto, abrindo um prazo de 90 dias para análise pelos parlamentares e dando a eles a oportunidade de tentar aprovar uma resolução de desaprovação.
Democratas e defensores da não proliferação criticaram o pacto nuclear por não impedir a Arábia Saudita de enriquecer urânio ou reprocessar resíduos nucleares, dois caminhos potenciais para a obtenção de uma arma nuclear. Os Emirados Árabes Unidos concordaram com tais medidas, conhecidas como o “padrão-ouro”, em seu acordo nuclear civil de 2009 com Washington.
“Uma região já assolada por conflitos e escaladas não precisa de mais uma potência nuclear”, afirmaram quatro democratas — Gregory Meeks, de Nova York, líder democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara; Brad Sherman e John Garamendi, da Califórnia; e Don Beyer, da Virgínia — em um comunicado.
O governo Trump afirma que o acordo contém as medidas de não proliferação exigidas por lei.
Não está claro se a Arábia Saudita conseguirá fechar o acordo sem normalizar as relações com Israel. Trump afirmou que o pacto só entrará em vigor se Riad o fizer, mas assessores do Congresso disseram que não há nada no acordo que trate dessa questão.
Membros do Congresso também pediram que todo o acordo — incluindo as “cartas paralelas” confidenciais firmadas com a Arábia Saudita — seja divulgado publicamente.
O acordo nuclear de 30 anos prevê a construção de reatores AP1000, um projeto no valor de dezenas de bilhões de dólares que beneficiaria a Westinghouse, de propriedade conjunta da Cameco, com sede no Canadá, e da Brookfield Asset Management.
Não está claro quando a Câmara poderá votar a resolução. O presidente da Câmara, Mike Johnson, dispensou os deputados na quarta-feira até depois das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
Além disso, embora o Congresso tenha aprovado dezenas de resoluções de reprovação ao longo dos anos, nenhuma resolução relativa à energia nuclear ou à cooperação nuclear civil jamais foi aprovada com sucesso.
De acordo com a Seção 123 da Lei de Energia Atômica de 1954, os acordos de cooperação nuclear para fins pacíficos entram automaticamente em vigor após 90 dias, caso o Congresso não tenha aprovado uma resolução de desaprovação para bloqueá-los.
(Reportagem de Patricia Zengerle; )
Fonte: Portal do Holanda
