EUA não conseguiram confirmar alertas israelenses sobre planos do Irã contra Trump, dizem fontes
Os Estados Unidos não conseguiram verificar alertas israelenses sobre planos do Irã para assassinar o ex-presidente Donald Trump, segundo fontes da inteligência norte-americana.
Alertas incluíam possíveis ataques com atiradores de elite ou facas, recebidos por agências de inteligência dos EUA antes de eventos importantes, como a cúpula da Otan.
Apesar da falta de confirmação, medidas de segurança foram intensificadas, incluindo uma operação de disfarce durante a viagem de Trump à Turquia.
WASHINGTON, 13 Ago (Reuters) – Os Estados Unidos receberam vários alertas de Israel ao longo do último ano de que o Irã pretendia assassinar o presidente Donald Trump, inclusive antes de uma manobra secreta envolvendo o Air Force One na Turquia — informações que as autoridades de inteligência norte-americanas não conseguiram verificar de forma independente, segundo uma autoridade atual dos EUA e duas ex-autoridades.
Os alertas, repassados às agências de inteligência dos EUA e, em alguns casos, transmitidos diretamente por autoridades israelenses a funcionários seniores da Casa Branca, incluíam possíveis planos para atirar em Trump por meio de um atirador de elite ou recrutar alguém para atacá-lo com uma faca em um grande evento público, disseram as fontes. As informações começaram na véspera da guerra de 12 dias em junho de 2025 e se intensificaram antes da decisão dos EUA de entrar em guerra contra o Irã em fevereiro, disseram as fontes.
O alerta mais detalhado ocorreu antes da cúpula da Otan em Ancara, em julho, disseram a autoridade norte-americana e a outra pessoa a par do assunto. Autoridades israelenses informaram a Casa Branca sobre dados de inteligência que indicavam que o Irã poderia tentar matar Trump, possivelmente com um míssil lançado do ombro, enquanto ele viajava no Air Force One para a cúpula, afirmaram as autoridades.
A comunidade de inteligência dos EUA há muito avalia que o Irã deseja retaliar pela morte do comandante militar iraniano Qassem Soleimani, ordenada por Trump em 2020. No entanto, a Agência Central de Inteligência não conseguiu corroborar algumas das ameaças específicas contra a vida de Trump compartilhadas pela inteligência israelense desde o início do ano passado, afirmaram as autoridades.
No caso do episódio da Otan, uma autoridade turca afirmou que as agências de inteligência do país também não tinham nenhuma evidência para corroborar a alegação israelense sobre a ameaça à vida de Trump, uma avaliação que o país anfitrião compartilhou com os norte-americanos.
Apesar da falta de verificação, autoridades da Casa Branca e do Serviço Secreto tomaram medidas para mitigar as ameaças por uma questão de extrema cautela, incluindo uma operação extraordinária de disfarce durante a viagem à Turquia que envolveu a transferência de Trump do Air Force One para outra aeronave em seu voo de volta do país.
Esse episódio ressalta como a inteligência israelense está influenciando a tomada de decisões do governo Trump em relação ao Irã em um momento de tensões intensificadas com Teerã — e de divergências mais amplas entre as avaliações das agências de inteligência dos EUA e de Israel sobre a ameaça iraniana em geral.
No início deste ano, as agências de inteligência norte-americanas avaliaram que o Irã não estava desenvolvendo ativamente uma arma nuclear, mesmo com Israel argumentando que Teerã representava uma ameaça urgente. Apesar dos relatórios da comunidade de inteligência dos EUA, Trump seguiu adiante com os ataques no Irã em fevereiro. Trump também levou em consideração informações compartilhadas por Israel de que Teerã havia tentado assassiná-lo antes de lançar a campanha militar, conforme noticiado anteriormente pela Reuters.
Um porta-voz da embaixada israelense contestou que Israel estivesse usando suas informações de inteligência para influenciar a política dos EUA em relação ao Irã.
“As mesmas pessoas que afirmam que Israel está tentando influenciar a política dos EUA por meio do suposto compartilhamento de informações de inteligência não hesitariam em acusar Israel de ocultar informações críticas se isso beneficiasse seus próprios interesses”, disse o porta-voz.
A Casa Branca e a CIA se recusaram a comentar.
O porta-voz do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi, se recusou a discutir questões específicas de inteligência, mas afirmou que a agência continua focada na segurança de Trump em meio às recentes tentativas de assassinato e ao aumento das ameaças contra o presidente.
“O Serviço Secreto dos EUA analisa continuamente uma ampla gama de informações para orientar nossas operações de proteção em tempo real e em todos os locais que protegemos”, disse ele.
(Reportagem de Erin Banco, em Washington; reportagem adicional de Humeyra Pamuk)
Fonte: Portal do Holanda
