Interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz começa a afetar colheitas, diz agência da ONU
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz já afeta colheitas agrícolas, elevando os preços dos alimentos, segundo Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.
Aumento nos custos de fertilizantes e transporte, agravados pelo El Niño, impactam a cadeia de abastecimento alimentar, com previsão de alta nos preços das commodities agrícolas.
A falta de um acordo entre Estados Unidos e Irã sobre fertilizantes pode resultar em crise de segurança alimentar na Ásia e África, alertou uma autoridade da ONU.
BANGUCOQUE, 15 Out (Reuters) – O impacto da interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz já está se tornando visível nas colheitas agrícolas, ameaçando reduzir a produtividade das propriedades rurais e elevar os preços dos alimentos, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Álvaro Lario.
“O impacto do bloqueio inicial do Estreito de Ormuz… já está começando a ser percebido”, disse à Reuters Lario. A agência é ligada à ONU.
As interrupções relacionadas ao Estreito de Ormuz nos embarques de fertilizantes e os custos mais altos de combustível e transporte, agravados pelo El Niño e pelas interrupções no abastecimento de trigo do Mar Negro, estão aumentando os custos em toda a cadeia de abastecimento alimentar, acrescentou Lario.
O Irã tem buscado reforçar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, utilizando esse ponto estratégico para pressionar Washington, que, por sua vez, vem mantendo seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos.
Os estoques existentes de fertilizantes e combustível inicialmente amorteceram o choque, mas a incerteza prolongada levou a um plantio mais cauteloso e à redução do uso de fertilizantes, disse Lario. Segundo ele, os custos mais altos do combustível também estão afetando a colheita mecanizada.
Os preços das commodities agrícolas subiram 13% no terceiro trimestre, com novos aumentos previstos para o quarto trimestre deste ano e o primeiro trimestre do próximo ano, disse o presidente da agência.
Países que dependem de importações de fertilizantes, combustível e alimentos estão particularmente vulneráveis, conforme Lario, que também destacou a dependência de combustível do Sudeste Asiático, bem como a dependência da região do Golfo Pérsico em relação às importações de alimentos.
A falta de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, dentro de algumas semanas, sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz poderia causar uma crise de segurança alimentar em partes da Ásia e da África, disse na quarta-feira à Reuters uma autoridade responsável pelo esquema proposto.
A incerteza atual poderia levar os pequenos agricultores a abandonar culturas de maior valor, que levam mais tempo para gerar renda, e a optar por culturas que proporcionam um fluxo de caixa mais rápido, disse Lario.
(Reportagem de Panu Wongcha-um)
Fonte: Portal do Holanda
