Mercado Livre lucra abaixo do esperado com gastos em logística; receita supera estimativas

O Mercado Livre registrou lucro líquido de US$ 448 milhões no terceiro trimestre, abaixo das expectativas de US$ 476 milhões de analistas.

A receita da empresa subiu 45%, alcançando US$ 10,75 bilhões, superando o consenso de mercado de US$ 10,66 bilhões.

A margem operacional caiu para 6,3%, impactada por maiores gastos com logística e marketing, além do aumento nos custos de frete.

SÃO PAULO, 4 Nov (Reuters) – O Mercado Livre divulgou nesta quarta-feira um lucro líquido abaixo das estimativas do mercado para o terceiro trimestre, à medida que maiores gastos em capacidade logística para o pico da temporada de compras pressionaram as margens.

A empresa de comércio eletrônico e serviços financeiros registrou lucro líquido de US$448 milhões de julho a setembro, inferior aos US$ 476 milhões esperados por analistas, segundo dados da LSEG.

Ainda assim, o lucro subiu cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, retomando o crescimento após três trimestres consecutivos de queda.

"No trimestre em que você está ampliando a capacidade, ainda não há uma receita correspondente, mas você já arca com os custos", disse o diretor financeiro do Mercado Livre, Martin de los Santos, em entrevista à Reuters. "Isso gera uma compressão nas margens, que é compensada no trimestre seguinte."

EXPANSÃO DA CAPACIDADE PRESSIONA AS MARGENS

O Mercado Livre disse que aumentou sua capacidade de fulfillment — centros de distribuição para estoque e processamento de produtos — em cerca de 20% em relação ao trimestre anterior, ante 10% no mesmo período do ano passado, preparando-se para os eventos promocionais de fim de ano, incluindo a Black Friday.

A maior expansão fez com que a margem operacional recuasse para 6,3%, ante quase 10% um ano antes, e ficando abaixo dos 7% previstos por estimativas de mercado compiladas pela LSEG.

De los Santos afirmou que as margens também foram impactadas pelo custo mais elevado com frete grátis, especialmente após expansões na Argentina e no Brasil, além do aumento dos gastos com marketing no Brasil.

A alta nos preços dos combustíveis também elevou os custos, levando a empresa a reajustar as taxas de frete cobradas dos lojistas, segundo ele. BRASIL IMPULSIONA RECEITA

A receita, por outro lado, superou as expectativas e subiu 45%, atingindo US$10,75 bilhões, acima do consenso de mercado de US$10,66 bilhões, com o Brasil liderando esse crescimento para a empresa que atua na América Latina.

A tensão entre um crescimento mais acelerado e margens menores tem marcado os resultados recentes do Mercado Livre, uma vez que a administração prioriza investimentos para defender uma posição de liderança no comércio online e em pagamentos digitais na América Latina no longo prazo.

As ações, porém, acumulam queda de cerca de 13% este ano, após uma valorização de quase 140% entre 2023 e 2025.

"Nossos investimentos estão dando resultados. Estamos apresentando um crescimento expressivo e um alto nível de engajamento, as pessoas estão comprando com mais frequência", afirmou de los Santos. "Continuamos muito otimistas em relação à trajetória de margens no longo prazo."

Na divisão financeira Mercado Pago, a carteira de crédito cresceu 62% em relação ao ano anterior, embora esse ritmo tenha desacelerado na comparação com trimestres recentes.

De los Santos disse que a empresa se tornou "um pouco mais conservadora" na concessão de novos empréstimos no Brasil e na Argentina, diante de um "ciclo de crédito bastante complexo" em ambos os mercados.

(Por André Romani em São Paulo. Edição de Pedro Fonseca)


Fonte: Portal do Holanda

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